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segunda-feira, 29 de julho de 2013

Bota Fé!

" Bota Fé, que a vida terá um novo sabor. Bota fé, bota a esperança e bota amor".
(Frase do papa Francisco- Festa da Acolhida, na Praia de Copacabana, Rio, em 25 de julho, 2013)

Bia, uma das crianças da Bititinga, que participa das atividades do Engenho de Leitura.


Num dia em que a mídia divulga uma pesquisa realizada pelo PNUD- Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento -, sobre o IDHM de Alagoas, a frase dita pelo papa Francisco, durante sua estadia no Rio de Janeiro (de 23 a 28 de julho) para a Jornada Mundial da Juventude, é mesmo  um grande estímulo para todos que querem Botar Fé, Amor e Esperança em ações que possam contribuir para reverter índices ainda tão negativos na vida de muitos alagoanos.Que bom que a Bia, moradora da Bititinga, em Messial-Al, frequenta uma escola, tem acesso aos livros e até sonha em ser professora.

*O IDH dos municípios vai de 0 a 1: quanto mais próximo de zero, pior o desenvolvimento humano; quanto mais próximo de um, melhor. O índice considera indicadores de longevidade (saúde), renda e educação.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Açude dos Canudos


Mirando hoje o açude dos canudos
- que foi açude e tinha até jacaré -
vi peixes saltando entre os pastos dos alagoados
na chuva que fez renascer
o antigo açude que da barragem vazou.


Mirando hoje o açude dos canudos
vi os arruados  que o tempo levou
e vi na paisagem uma esperança adormecida.



Imagem do antigo açude dos Canudos, na Bititinga, que com a chuva volta a ser açude.






quarta-feira, 17 de julho de 2013

Em Messias....



  Visitamos, nesta quarta-feira (17), a Secretaria Municipal de Educação de Messias, município onde fica localizada a Bititinga , e nos  encontramos rapidamente com a secretária de Educação Nenci Omena dos Santos, que estava inspecionando alguns reparos que estão sendo feitos no Centro Educacional Municipal Luiz Amorim Leão, uma das escolas mantidas pela rede municipal de ensino, e que fica bem  ao lado do prédio da Secretaria. Conversamos sobre atividades de incentivo à leitura no município, o prêmio da FNLIJ para o relato do Projeto Engenho: LER NA BITITINGA, e na ocasião entregamos alguns livros e impressos que serão encaminhados para a Escola Municipal Ildefonso Prado de Omena, localizada na área rural do município, entre outras.


Secretária Nenci está à frente da educação de Messias desde 2001


A Biblioteca Comunitária da Bititinga, que fica no clube que pertence à Associação dos Moradores e Agricultura Familiar da Bititinga (AMAFABI) continua recebendo doações para seu acervo de literatura infanto juvenil, técnicos, entre outros que também reforçam as estantes de livros de literatura de vários gêneros, possibilitando a leitura e pesquisas para jovens e adultos da comunidade. O nosso objetivo é ampliar o acesso de visitantes à biblioteca comunitária e desenvolver atividades em parceria com a prefeitura, que mantém na Bititinga uma creche para os filhos dos trabalhadores rurais e a Escola Ildefonso Prado Omena, que atende as crianças nos primeiros anos do ensino fundamental, quando depois passam a estudar nas escolas urbanas do município. A secretária Nenci nos deixou com o professor, e técnico na área de educação do município,  Dime Cart de Oliveira Pontes, que é um dos responsáveis pelos Programas de Educação e dos sistemas de dados educacionais junto ao Ministério da Educação (MEC), e também auxilia nas discussões dos projetos realizados em escolas do município.



Dime Cart e a professora Neu, recebendo  livros e revistas que foram doados ao Projeto Engenho pela Livraria e Distribuidora Beaba


Dime Cart, que já morou com a família na Bititinga, quando seu pai trabalhava na década de 80 e início dos anos 90 como mecânico de garagem da ex-usina de açúcar, depois de se graduar em Pedagogia atuou como professor e diretor da escola Ildefonso Prado Omena, entre outras escolas do município.  Atualmente está concluindo a Pós-graduação  de Tecnologia em Educação e vem  formando professores para atuarem com as novas tecnologias que já são realidade em muitas escolas públicas.  Aproveitamos para "ficar por dentro" sobre  o processo de educação de crianças e também de jovens e adultos no município, e ficamos contentes  por sentir que as crianças do município possuem gestores e técnicos interessados em estimular projetos de incentivo à leitura. 

 


Professores da Secretaria Municipal de Educação e Vanessa



De Messias, continuamos nossas andanças até a Bititinga e encontramos movimento de obras da prefeitura no Posto de Saúde que fica ao lado da creche, que atende as crianças de 0 a 4 anos da área rural do município.




Em frente a pequena biblioteca encontramos a Mocinha dando um trato no jardim, que devido ao tempo de chuva tem sempre muito mato ao redor.Voltamos a falar de iniciativas para o plantio de mudas e uma horta orgânica. Algumas dicas já foram postadas nesse blog. Agora é preciso a união e o esforço de todos para acontecer.A Mocinha é quem vem cuidando das mudas que depois serão plantadas em torno da biblioteca.



A Aparecida veio nos contar as novidades em volta do clube. Em tempo de férias os moradores estão sempre por ali: conversando, fazendo atividades na biblioteca e brincadeiras...

Também visitamos alguns moradores do arruado. A Lourdes, mãe da Daniela e da Mariana, que participam das atividades de leitura, mora no antigo posto de saúde da Bititinga. Conversamos  e fiquei de voltar lá para tomar um cafezinho. 




Genilda , Cláudia e Geraldo Rosalino são vizinhos na rua do posto



Brincadeiras ao redor do clube -  as bolinhas de Gude ou chimbra


Os meninos Bia, Olímpio e Rosalino - sempre presentes nas atividade de Contação de História - aproveitam as férias escolares.

Geraldo Rosalino mostra aviso de uma ação que será realizada no próximo sábado (20), no clube, de exames gratuito para a visão.  Uma ação em parceirada associação dos moradores 


Moradores reunidos em torno do clube e da pequena biblioteca

terça-feira, 16 de julho de 2013

Ciranda do Amanhecer

 O Centro Cultural Ciranda do Amanhecer é o nome de um projeto que acontece no sertão do Ceará, e que muito tem feito para promover a leitura , a arte e o empreendedorismo no lugar. Um post sobre o Ciranda foi feito pela Dani Caneiro, no blog Biblioteca do Livro, e logo a Juliette Fernandes - colaboradora e incentivadora de projetos de leitura -, me enviou uma mensagem contando a novidade.






O Ciranda do Amanhecer é ponto de cultura do Governo do Ceará e tem um blog e uma página do Facebook, e uma das iniciativas do Centro é fazer na comunidade o cultivo de uma horta orgânica, além de outras iniciativas. O legal é poder ver que muitas iniciativas também podem ser feitas lá na Bititinga. 
         

quinta-feira, 11 de julho de 2013

O custo do livro


Dias desses fui ao centro da cidade de carro. A outra opção, vindo de onde eu vinha, seria o táxi ou os ônibus onde eu teria que desembolsar R$ 2,30 pela passagem de ida e o mesmo valor para voltar. Na nossa cidade, infelizmente, não existe a facilidade do metrô. Por enquanto só os trilhos dos velhos trens de carga entre a estação do centro da cidade até o bairro portuário de Jaraguá, e que até onde sei serão aproveitados para a extensão do VLTV- Veículo Leve sobre Trilho, - uma espécie de metrô de superfície que vai virar realidade por essas partes da cidade sabe-se lá quando. Na opção do carro, vem o problema. Onde estacionar? Dependendo da hora há várias vagas nos estacionamentos da área central, variando de 4, 5, até 6 reais, algumas vezes por período.  De fato, pagar 6 reais para deixar o carro parado parece até um luxo, mais do que pagar a passagem do ônibus que por si só já é um preço alto para quem usa o transporte diariamente, o que motivou os movimentos de protesto vistos em várias capitais e cidades. Soma-se a isso outros preços que vão subindo, subindo até virar motivo de outros protestos e indignação contra o custo de vida e o quase sempre ineficiente serviço prestado pelo poder público no tocante a saúde e a educação . Os que podem fugir para os serviços privados - no caso da escola e do plano de saúde - vai ter que pagar muitas vezes o que não pode para garantir o básico.
E o que tem o preço da escola, da banana, da consulta médica, do tomate, da passagem de ônibus, do inhame... a ver com livros? Sendo um bem supérfluo - os livros de literatura -, o preço fica por conta do que é acessível ou não para o bolso de cada um. Falo isso porque já ouvi muita gente dizer que ler custa caro, " pois livros são caros". Realmente, como muitos, acredito que essa resposta já está superada. Como existe livros para todos os gostos -  e haja gosto - existe também livros de vários preços, e um livro não se mede unicamente pelo seu preço, mas sobretudo pelo seu valor. Aqui se entendendo o conteúdo como o valor literário, mérito do autor, que na maioria das vezes, exceto para os já famosos, ou os poucos que lograram êxito em algum edital ou concurso literário, percorre verdadeiros caminhos de pedras não só para compor o livro - fruto de inspiração, mas também de pesquisas e dedicação - até ser publicado e, quem sabe, cair no gosto dos leitores.
Andando por aí, de livraria em livraria, e até visitando algumas feiras literárias, podemos comprovar que existem bons livros, principalmente para os pequenos leitores, de 15, 10, 5 e até 2 reais, como alguns que vi expostos no Salão do Livro, no Rio, entre outros garimpados em eventos literários e até em estantes de livrarias e supermercados ou bancas de revistas. Claro que "os livros da hora", os que estão na moda, saem por preços mais altos e daí vem a impressão de ser o livro um produto inacessível. Mas o que é inacessível hoje pode se tornar acessível amanhã. Alguém compra, repassa, ou simplesmente pode ser buscado em alfarrábios e até, quem sabe, encontrados em bibliotecas públicas e comunitárias que já existem espalhadas por aí. Aos poucos, com doações, alguns achados, e ultimamente com os ótimos livros entregues por ocasião do prêmio LEIA COMIGO! da FNLIJ, é possível encontrar uma ótima leitura , e de graça, em uma pequena biblioteca comunitária como a da Bititinga. As bibliotecas escolares também estão aí para tornar o livro acessível. Aliás, com a Lei12.244 aprovada em maio de 2010, até o ano de 2020 todas as instituições de ensino, públicas e privadas do Brasil, deverão possuir biblioteca. A Lei por si só é um avanço que garante o livro, de forma acessível, para todos. Mas não é preciso esperar uma biblioteca para começar a ler. Se ela já existe em algum lugar, ou se alguém compartilha o livro que já leu, a desculpa do livro caro vai virando mito. Muitas vezes estamos apenas utilizando essa desculpa para deixar de trocar um hábito por outro, ou para criticar o alto custo de vida com o custo do livro. Motivar a leitura e deixar o livro acessível para todos é o que faz a diferença. E aí vale muito a participação de pais e educadores. As escolas , ao meu ver, devem adotar desde cedo as práticas de leitura ou, os "joguinhos eletrônicos*" vão cada vez mais roubar esse tempo de crescimento e entretenimento que a literatura nos tem legado desde os tempos da vovozinha. (vo)
*Nada contra os jogos eletrônicos, próprios da era tecnológica, e que em muitos casos motivam a imaginação de crianças e jovens;apenas uma alerta para a falta de incentivo ou acesso a outras atividades importantes para o crescimento de um ser, a exemplo da leitura.E aí vale começar pelo interesse de cada um e que muito tem a ver com a faixa etária. O que é um livro chato hoje, pode ser uma boa companhia amanhã.


domingo, 7 de julho de 2013

Brincadeiras e conversas

Bom chegar à Bititinga e ver o movimento de crianças e jovens  em torno do clube  onde fica a pequena Biblioteca Comunitária. 








O lugar aproxima os moradores . Aqui tem brincadeiras e jogos, livros, as festas, como as de São João, e também é local de reuniões e conversas.






Como acontece em todas as nossas visitas, mostramos o que trazemos de novidades para o acervo da biblioteca comunitária. Dessa vez, vieram joguinhos e alguns dos livros que recebemos da premiação do concurso LEIA COMIGO! promovido pela FNLIJ.  Vamos trazendo os livros aos pouquinhos, pois assim teremos tempo de apresentar cada um deles: quem são seus autores, ilustradores, e sempre que possível fazer a contação de alguma  historinha com as crianças. Não queremos apenas aumentar o acervo da biblioteca, mas principalmente fazer com que as crianças entrem em contato com esse universo, despertando para a leitura e tendo acesso ao livro, que está bem ali, naquela pequena biblioteca ao lado do clube. 

 Aliás, o certificado do Concurso LEIA COMIGO! foi trazido para a pequena Biblioteca, afinal foi por esse nosso contato de leitura com as crianças e adolescentes da Bititinga que nos inspiramos para escrever o relato, que está públicado na edição de julho de Notícias da FNLIJ, mostrando essa iniciativa que acontece na zona rural do município de Messias.




Também levamos um jornal com uma reportagem sobre o escritor Graciliano Ramos, e o Geraldo disse que viu na televisão a reportagem sobre a Feira Literária Internacional de Paraty (FLIP), que esse ano teve como homenageado o escritor alagoano que levou para o mundo as paisagens e as histórias que se passaram em Alagoas, nas primeiras décadas do século passado (XX) . 



Dentro da salinha da biblioteca uma máquina de datilografia,  peça para muitos só "vista em museu" desde a chegada do computador, e que o Geraldo  ainda utiliza em seus afazeres, lembrando os velhos tempos quando começou a trabalhar como contínuo do escritório da antiga usina,  quando essas máquinas de datilografia ainda reinavam absolutas nos escritórios. 



Geraldo Rosalino que trabalhou como escriturário das Usinas Bititinga e Porto Rico  demonstra habilidade com a velha máquina de datilografia.




Para as crianças e adolescentes a máquina de datilografia é motivo de curiosidade




Kelly disse que sempre vem à Biblioteca em busca de um novo livro




Os joguinhos fazem parte da diversão das crianças








Bom é se despedir do lugar e ver a alegria no rosto das crianças. A pequena Bia, sempre com um jeito bem meigo, disse-me:" Vanessa, quando eu crescer quero ser professora!"
 Bem haja! 



terça-feira, 2 de julho de 2013

Alagoas na FLIP

  
" A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso, a palavra foi feita para dizer". (Gaciliano Ramos).




O escritor alagoano, nascido em Quebrangulo, Graciliano Ramos (1892-1953) é o grande homenageado da Feira Literária de Paraty , no Rio de Janeiro, que acontece a partir desta quarta-feira (3/7) até domingo (7/7). Mestre Graça fez sua trajetória na literatura, na política, no ensino público e como jornalista, com passagens por Viçosa, Palmeira dos Índios - onde foi Prefeito do município de 1928-1930- e Maceió, onde trabalhou na Imprensa Oficial do Estado, e que hoje leva o seu nome. A partir de 1937 passou a residir  definitivamente no Rio de Janeiro, após ter sido preso pelo governo de Getúlio Vargas. Entre seus amigos e contemporâneos estão o paraibano José Lins do Rêgo; a cearense Rachel de Queirós, o baiano Jorge Amado, e alagoanos como Théo Brandão, Manuel Diegues Júnior, Cipriano Jucá, Raul Lima e tantos outros.


Na Literatura deixou obras que são referência na chamada literatura regional, e também universal, como: São Bernardo, Caetés,Vidas Sêcas, Angústia, Memórias do Cárcere...


Aqui, nossa homenagem ao Mestre, em forma de poesia:




De Alma Levada


No rio da minha existência
mergulho a alma em agonia
estendendo o pesado manto
que afunda e volta à tona

Deixo a água penetrar
esfrego, torço e bato
a alma na pedra dura,
na água que amolece e lava
tal e qual as lavadeiras lá de Alagoas
na visão do Mestre Graça

Vislumbro as paisagens ao redor
(Quebrangulo, Viçosa, Palmeira dos Índios, Maceió...)
enquanto a alma embranquece nas águas
e sinto os cheiros de pessoas
de saudades e quimeras

A alma, então, retorcida
vai ficando enxuta e nova,
estendida sob o sol
com cheiro de sabonete "Alma de Flores"

e sigo no caminho,
de alma lavada pra a vida.
(vanessa omena- do livro "Enecoêma" em arquivo).