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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

No virar da página



É como abrir as páginas de um livro, de trás para a frente, ou até mesmo folhear aleatoriamente, agora sem a pressa do dia a dia, simplesmente passeando pelas manhã, tardes e noites que se passaram. Pode ser até o abrir da já velha agenda, o caderno de anotações, o diário, e perceber que Janeiro passou, Fevereiro chegou, Março entrou, Abril seguiu, Maio surgiu, junho partiu ...e o tempo correu. 


Junho, aliás, foi o mês de estrear aqui no blog: uma foto, uma resenha, uma notícia sobre o Projeto Engenho. Os livros, enfim, chegaram à Biblioteca Comunitária da Bititinga e fomos conhecendo crianças e adolescentes como a Bruna, a Dani, a Keyla, a Stephane, a Mari, a Wedja, a Bianca, Rayanne....e meninos como o Diogo, o Neto, o Olimpio, Ryan, Alcides, e tantos quantos foram e vão se chegando, nas tardes de sábados, ou domingo, ao redor das atividades do engenho de leitura, artes e empreendedorismo. 




Parcerias foram surgindo , doações chegaram, e pessoas como a Dani Carneiro, responsável pelo blog da Biblioteca Comunitária do Sítio Vanessa, lá em Morretes, no Paraná, deram àquela força, dando inspiração e uma maior visibilidade ao projeto plantado na Bititinga.  E, embora eu não seja muita adepta ou adaptada a modernidade da internet, e as tais redes sociais, aqui estamos para, de vez em quando, escrever essas pequenas coisas que fizeram parte do que em 2012 foi plantado: a Biblioteca Comunitária da Bititinga, em parceria com o Geraldo Rosalino, um dos antigos moradores desse lugar, sempre tão familiar e cheio de muitos encantos. 




 Para 2013 desejamos mais parcerias, mais livros e, principalmente, mais leitores, pois mais que ter um milhão de Amigos, que na internet são chamados de seguidores,  prefiro pensar em um milhão de pessoas motivadas para a leitura, as artes, o empreendedorismo, a solidariedade e a possibilidade de construir um futuro mais cheio de graça, e de luz. Nada de promessas, apenas o desejo de escrever um pouco mais aqui no blog, nem que seja uma citação, vinda de tantos poetas, escritores, ou alguns de nós ( anônimos); uma foto que "vale mais que mil palavras"; um link legal; as resenhas sobre as nossas idas à Bititinga e coisas afim. 
 

Neste 31 de Dezembro de 2012, bom chegar a última página de um livro e saber que já tem outro pronto para ser aberto. Página por página.
E no virar das páginas que você encontre muito motivos para se inspirar e seguir em frente.


UM PRÓSPERO 2013, É O QUE O BLOG DESEJA PARA VOCÊ.

V. Omena.
(Agradecimento especial aos colaboradores e voluntários: Lena e Louis)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Sobre Genealogia



Foi com prazer, e gosto pelas coisas do passado, que acompanhei a minha mãe, junto com meu filho, para um encontro de famílias nas terras da Viçosa, exatamente onde foi fundado, em meados do século XIX (1840), o engenho de açúcar Boa Sorte, que como tantas outros em terras alagoanas terminaram em fogo morto ou metamoforsearam-se em usinas de açúcar, algumas transferidas para soltar fumaça em outras plagas. 

Livro sobre a genealogia viçosense foi lançado em Maio, deste ano, por Alfredo Villela Cortêz.
 A viagem de Maceió até Viçosa (96 km) já não tem o ar romântico daqueles tempos da memória de menina da minha mãe, quando as serras pareciam tão altas e inatingíveis e a velha Maria Fumaça serpenteava pelos trilhos, entre vales ladeados pela mata atlântica, por onde vinham os estudantes saudosos que voltavam de férias para reverem seus familiares. Em determinado momento do percurso o comboio passava bem ao lado da casa do senhor Vivaldo Villela, um dos tantos filhos da terra e que foi homenageado nessa data com seu nome em uma singela ponte na estrada que passa em frente ao casarão, e que hoje é só saudades como tantos outros lugares que vão perdendo vida na paisagem, salvo nas memórias dos que por lá viveram. 
O tal encontro de famílias, além da inauguração da ponte, e que teve a presença de tantos filhos da terra, inclusive, um deles, o atual governador de Alagoas Teotonio Brandão Vilela Filho, teve como propósito maior o lançamento do livro "Genealogia Viçosense", de autoria de Alfredo Durval Villela Cortêz, engenheiro de formação e que, após prestar serviços importantes para o seu Estado, retomou o trabalho de seu avô, Drº Manoel Brandão Villela ( 1882-1970 ), do tronco viçosense de José Aprígio dos Passos Villela (+ 1934) casado com Maria Constância Brandão Villela (+1937), cuja Árvore Genealógica começou bem antes, em 1817 com o casamento do português Raimundo José da Silva com uma índia de nome Maria. E foi assim, como tantos outros troncos familiares deste imenso e miscigenado País, que Viçosa foi povoada, tendo sido fundada a partir de 1790 por Manoel Francisco. 
O livro em questão é uma viagem memorialista nas vidas de tantas famílias que se entrelaçaram em casamentos e na vinda de seus descendentes, sendo um dos fatos mais interessantes o cruzamento dos sobrenomes Brandão Villela com Villela Brandão, a partir dos casamentos de dois casais de irmãos e primos: Manoel de Barros Loureiro Brandão, casado com Carolina Vilella Brandão  (Calú), irmã de Elias Brandão Villela, casado com Isabel Brandão Villela (Bilinha) que deram aos filhos, respectivamente, os nomes de Theotonio Villela Brandão ( Médico e folclorista Théo Brandão ), irmão de minha avó materna - Lucy Brandão Maia Gomes ( 1912- 1952) - ,  e Teotônio Brandão Villela (Senador Teotônio Vilela), dois dos primos da Viçosa que juntos com inúmeros outros viçosenses deram tantos frutos para o engrandecimento da história cultural, socioeconômica e política de Alagoas. 

 O lançamento do livro, por si só, foi mais um desses acontecimentos que fazem Viçosa brilhar no cenário alagoano, com a presença de seus poetas e na alegria de seus folguedos, que fazem seus filhos dançarem entusiasmados ao som das cantorias, lembrando as festas na casa- grande do Engenho Boa Sorte , um dos tantos cartões postais para quem viaja por essa região da zona da mata alagoana, o chamado vale do Paraíba. Mais que um passeio sobre as origens dos antepassados, o livro de Alfredo, que teve no seu avô a inspiração e a motivação para um trabalho de pesquisa,  tão árduo como gratificante, traz, também, fotos antigas e ilustrativas de edificações e personagens marcantes que deixaram seus exemplos para as gerações futuras, algumas revelações contadas pelo saudoso Werther Villela Brandão; a poesia de Eloy Brandão Villela; a história dos brasões familiares; a homenagem a Théo Brandão; as inaugurações e festas da cidade; e a biografia de Manoel Brandão Villela, que figurou no livro "Enciclopédia", do escritor Afrânio Coutinho, entre os homens notáveis do país. Sem dúvida, uma leitura profícua e que tem me inspirado nas pesquisas que venho fazendo sobre a genealogia do meu tronco paterno: os Maya de Omena.


domingo, 23 de dezembro de 2012

Poeta Lêdo Ivo





O Caminho Branco
(18/02/1924-23/12/2012)

Vou por um caminho branco
Viajo sem levar nada.
Minhas mãos estão vazias.
Minha boca está calada.
Vou só com o meu silêncio
e a minha madrugada.
Não escuto, entre os barrancos,
a voz do galo estridente
que, na treva do terreiro,
anuncia as alvoradas.
Nem mesmo escuto a minha alma:
não sei se ela vai dormindo
ou me acompanha acordada,
se ela é vento ou se ela é cinza
ou nuvem rubra raiante
no dia que se levanta
como vela desdobrada
em nave que corta as vagas.
Não sei nem mesmo se é alma
ou apenas sal de lágrimas.
Vou por um caminho branco
que parece a Via Láctea.
Só sei que vou tão sozinho
que nem sequer me acompanho,
como se eu fosse um caminho
pisado por vulto estranho.
Não sei se é dia ou se é noite
o que surge à minha frente,
se é fantasma do passado
ou vivente do presente.
Não sei se é a torrente clara
da água que corre entre pedras
ou se um gavião me espreita
oculto no nevoeiro,
espantalho prometido
ao meu dia derradeiro.
Atravessando barrancos
e plantações de tomate
e ouvindo o canto escarlate
de airosos galos polacos,
vou por um caminho branco:
brancura de bruma e prata.
Entre tufos de carqueja
há constelações de orvalho
e um clarão de meio-dia
cega a minha madrugada.
Vou como vim, sem saber
a razão da travessia.
Nem sequer levo na boca
o gosto de água salgada
que relembra a minha infância
feita de mar e de mangue.
Nem sequer levo nos olhos
- nos meus olhos de menino -
a mancha rubra de sangue
deixada pelo assassino
que vi certa madrugada.
Vou por um caminho branco
e nada levo nem tenho:
nem ninho de passarinho
nem fogo santo de lenho.
Só vou levando o meu nada.
Foi tudo quanto juntei
para oferecer a Deus
nesta madrugada.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A prenda de Natal




Saiu triste da festa. Antes, parecia ter se divertido com os amiguinhos enquanto esperavam ansiosos a hora do sorteio dos brindes de natal. Todos receberam um papel com os números, e a cada número sorteado ela esperava ansiosa por sua prenda.
Dentro de uma grande cesta de palha, ao lado de uma árvore de natal preparada com galhos de uma árvore recolhida ao redor, e caprichosamente decorada pelos moradores daquela comunidade, bichinhos de pelúcia, bonecas, jogos infantis, e bolas, eram os presentes mais desejados, e que aos poucos iam chegando às mãos dos primeiros sorteados.
Número 20. Pronto! foi a vez de um dos pequenos receber o cavalinho de pelúcia que há anos tinha feito a alegria de outra criança, e que depois de tempos esquecido em algum lugar foi entregue por seu dono para que a mãe juntasse com outras prendas que seriam entregues para a doação. Era ainda um brinquedo conservado, desses que parecem que não se fabricam mais, e que depois de limpo e embalado chegaria como novo às mãos de uma criança


 
Número 35.E lá estava a linda boneca, de longos cabelos pretos e olhos bem azuis, como os cobiçados por tantas mães de anjinhos, e que ia agora para os braços de uma outra bonequinha, que tinha olhos escuros, opacos, mas que logo ficaram brilhantes ao segurar aquele inesperada prenda de natal.
- Olha,mamãe, como ela é bonita - disse a pequena, agarrada a sua nova companheira.

E pouco a pouco os números iam sendo sorteados, fazendo a festa de crianças e adultos que também foram sorteados com algumas prendas de natal. A bola, embalada em um lindo papel verde, chegou nas mãos do menino Yan, que ha meses sonhava em ter uma bola de verdade, costurada e de couraça, para chutar no campo com a turminha da Bititinga.
- A outra bola, disse ele, era mais para os meninos maiores, e com essa vamos ter mais tempo para brincar.
E na saída, a menina segura a prenda e a mãe, como se desculpando, foi logo dizendo:- É que ela ganhou um livro, mas queria ganhar a boneca.
Vi que a menina nem sequer tinha desembrulhado o papel celofane vermelho com um belo laço verde claro que embalava o livro. Mas, segurava o embrulho nos braços como se segurasse a boneca tão sonhada.
- Você não gosta de histórias? - Perguntei, meio sem graça.
- A menina, um pouco encabulada, olhou para a mãe, e a mãe novamente foi quem respondeu:

- É que ela ainda não sabe ler direito. - Ela só gosta mesmo é de brincar de boneca.
Olhei para a menina, que parecia ter uns 7 ou 8 anos, e que também era uma das mais ativas nas brincadeiras com a comunidade. Gostava de pular, dançar, desenhar, correr...e disse:
- É. De fato uma boneca é um lindo presente, mas existem muitos outros presentes que podem estar escondidos bem aí, dentro de um novo presente como esse livro que você  ganhou.
Ela esboçou um sorriso, e junto com a mãe foram para a casa, com a prenda de natal 
Antes de dormir a menina colocou o presente em uma mesinha, ao lado da cama. Lembrou mais uma vez dos outros brinquedos sorteados na festa, da bela boneca de olhos azuis...., e antes de dormir, ouviu uma voz que parecia sair do embrulho vermelho.
- E então, menina, você não vai me abrir? vai me deixar fechado aqui, enquanto eu poderia te mostrar lugares diferentes, te fazer conhecer novos amigos, te ensinar tantas coisas novas...
Sem acreditar muito naquela vozinha, a menina, ainda sonolenta, resolveu abrir a prenda e então deu de cara com a capa de um livro que tinha a ilustração de uma boneca. Parecia engraçada, sardenta, toda colorida, feita de pedaços de pano. Não tinha os cabelos bonitos e os olhos azuis, mas dela emanava muita alegria. A menina estava tão acostumada a sonhar com as bonecas de vitrine que essa, assim, tão simples, parecia também muito familiar. Parecia com a boneca Emília, das história de Monteiro Lobato, que aprontava muitas brincadeiras com a turma do Sítio do Pica-Pau Amarelo.
Mesmo sem saber ler muito a menina ia passando as páginas do livro e se encantando com as imagens dos  personagens, as paisagens, e as letrinhas começavam a pulsar das páginas como se fosse um convite para as brincadeiras. Já conseguia até entender o que diziam as palavras, letra por letra, e tudo ia se encaixando.
Agarrada ao livro, a menina dormiu. Dormiu um sonho profundo. E sonhou não só com as bonecas mas com tantas outras possibilidades que sua imaginação ia criando. Sonhou, afinal, que tinha ganhado um presente especial: um livro, e que com ele poderia descobrir muitas coisas novas e compartilhar com os outros meninos e meninas da rua, da escola, da comunidade. Aliás, lembrou que lá na comunidade existia uma biblioteca, cheia de outros livros, só esperando alguém abri-los.


Uma boa Leitura, e um feliz Natal!


( Por Vanessa Omena).


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Domingo na Bititinga

Presépio, brincadeiras, sorteio de brindes, lanche e  coral.  A tarde de domingo na Bititinga foi uma festa.



O presépio foi decorado assim que chegamos, com a habilidade do Geraldo Rosalino e a ajuda das crianças. 







Depois de pronto, moradores e visitantes contemplaram o presépio, um dos símbolos do natal, que representa o nascimento do menino Jesus, trazendo mais luz e alegria para a Bititinga.







 Enquanto do lado de fora a família  se entretia com as crianças e a paisagem


Do lado de dentro do clube a turma ia se divertindo com as bolas....





....dança de roda....





jogos...

Integração



Com o Alcides Gerarde sempre presente na afinação do som, e dando o apoio necessário para a nossa programação musical...




A Valdja leu uma linda mensagem sobre a época de NATAL ,  e oportunamente pediremos a ela para transcrever aqui no blog.




E pouco a  pouco os moradores iam chegando





....e por volta das cinco horas da tarde, quem chegou foi o pessoal do Coro Prisma


O Coro Prisma, regido pelo maestro Gustavo Lima, cantou e encantou crianças, jovens e adultos, muitos, pela primeira vez, tiveram a oportunidade de ouvir o canto coral.







Durante a apresentação o coro fez uma interação com o público, mostrando o significado dos símbolos natalinos tão presentes nessa época, e que foram mostrados pela turminha.



E fizemos a leitura com a descrição e o significado de alguns símbolos natalinos, a cada música cantada pelos coralistas. Símbolos: ÀRVORES DE NATAL e PRESENTES










O SINO


A VELA




O MENINO JESUS, símbolo maior do presépio e do Natal




Depois da apresentação do coral foi feita a confraternização com lanches e sorteio de brindes que foram doados para o Projeto Engenho.









Nossas agradecimentos para o parceiro do projeto, a Associação dos Moradores e dos Trabalhadores da Agricultura Familiar da Bititinga (AMAFABI), na pessoa do Geraldo Rosalino; a parceria feita para este evento, em especial, com o Coro Prisma de Maceió, nos contatos feitos com a coralista Dione Caciano; a Prefeitura de Messias, que nos disponibilizou o transporte para trazer os coralistas de Maceió até a Bititinga, e aos que nos ajudaram nas doações de brindes e ítens para o lanche (Valná e Júnior, Valdja, Helena (esteticista) , Lena e Louis.