“Eu hoje tenho pena quando vejo que a juventude está deixando de ler. Eu tenho pena dela. Porque Ô coisa boa é a leitura! Eu quando menino passava a manhã no colégio. Chegava ao meio dia e depois do almoço eu deitava numa cama e abria o livro. Era um mundo novo que se abria diante de mim. Ô felicidade! A outra felicidade era o circo”.
(Ariano Suassuna)
Assistindo a uma das famosas ‘aulas espetáculos’ do poeta e escritor paraibano
Ariano Suassuna (1927-2014), no auge de seus 85 anos, não poderia deixar de compartilhar
aqui no espaço do blog algumas de suas frases, ideias, pensamentos e citações tão
lúcidas e importantes, muitas vezes até de tirar risadas por suas tiradas simples e humorísticas , mas plenas de sabedoria. Ariano
Suassuna, junto com João Ubaldo, Rubens Alves, e tantos outros Mestres que por
esses dias foram se despedindo de nossas vidas terrenas, sempre será grande
fonte de inspiração. Suassuna, que se formou em Direito “por falta de opção na
época” foi um verdadeiro advogado em favor da valorização da cultura popular brasileira. Foi o idealizador do Movimento Armorial, que tem como
objetivo criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do
Nordeste Brasileiro: “Os dois encantos da minha vida eram a leitura....e o
circo”, o que define bem sua inteligência, humor e de seu trabalho em prol da valorização
da tradição cultural nordestina e brasileira. Arcaico? E o que importa ser arcaico diante de
tanta vulgarização e descaracterização da cultura brasileira?
Quem sou: “Eu fui
um menino sertanejo. Morava no sertão da Paraíba e tive a sorte de que o meu
pai era um grande leitor. Eu tinha na minha casa, no sertão da Paraíba, a excelente
biblioteca que ele nos deixou”.
“Sou um homem de inteligência prática e cética”.
“Eu só sei falar por arrodeio. As trilhas do sertão são
assim”.
“Eu gosto muito de autor que me faz rir. Eu acho o riso uma
coisa boa. Daí minha admiração por palhaço. (...) Eu sou um palhaço frustrado”.
Sobre as modernidades da tecnologia : “Eu não gosto nem de telefone comum quanto mais aquela praga de celular. Para o sertanejo até o telefone sem fio é uma coisa misteriosa. Não gosto não”.
Sobre as modernidades da tecnologia : “Eu não gosto nem de telefone comum quanto mais aquela praga de celular. Para o sertanejo até o telefone sem fio é uma coisa misteriosa. Não gosto não”.
Memória: “Eu
tenho uma memória de cachorro vingativo.”
Religião: “ Minha
visão do mundo e do homem é uma visão religiosa. E o sertanejo é um sujeito
cético. Mas cético quanto ao humano. Eu não sei se por isso, eu desde menino
examino todas as ideias que me apresentam. E examino mesmo. Ninguém venha com
a ideia de autoridade. Eu examino tudo".
Ciências: “ Eu
não aceito que a inteligência humana tenha evoluído do macaco ou seja de que
bicho for. A diferença é grande demais”.

(...) “jamais a inteligência do macaco pode ser comparada a
do homem”. Dizendo isso, Ariano tira de sua pasta um simples pregador de roupa.
E Diz: “Nós não sabemos quem inventou isso, mas é um gênio. Um macaco jamais
inventaria isso. Olha, o macaco pode trabalhar quinhentos milhões de ano que
ele não faz um negócio deste”.
“A Mente humana tem uma centelha divina que não tem bicho
que chegue perto”.
Sobre a esposa: “Nós
começamos a namorar no dia 20 de agosto de 1947. E estamos namorando até hoje.
Nem acabou nem acaba”.
Cultura: “Eu me
preocupa muito com esse processo de vulgarização e descaracterização da cultura
brasileira”.
“Tudo que nos aparece nos é empurrado pela goela abaixo como
ordem de 1º mundo. E quando a gente se opõe é chamado de arcaico. Eu não me
incomodo de ser arcaico”.
“Existe agora uma tal Lady Gaga. (...). Eu virar Lord Gaga é
triste”.
Sobre um programa de televisão exaltando uma frase do
Cazuza: “Outro dia assisti ao programa
exaltando a frase da música ‘Os meus heróis morreram de overdose’. E essas
coisas vão passando por aí e ninguém
protesta (...). Eu disse, vou protestar. Porque o meu herói principal não sabia
nem o que era overdose. Ele morreu crucificado entre dois ladrões”.
E adverte mais adiante: “É preciso ter cuidado. Essa frase é
altamente prejudicial para nossa juventude”.
Política: “Eu não
tenho nada contra os políticos não. Pelo contrário. Lembro a você: está se
criando outra coisa muito perigosa no Brasil. È o fato de julgarmos todos os
políticos de uma maneira injusta, dura, cruel e injusta estendendo a todo mundo
o que uma minoria de velhacos faz. Não façam isso não. A gente não pode perder
a crença nem na ordem política nem na ordem jurídica do país. Porque é muito
ruim para a sociedade onde não exista ordem politica e jurídica. É perigoso”.
Críticas: “Eu
tenho dito que eu divido a humanidade em dois tipos, duas metades: do lado de
cá tem aqueles que gostam de mim e concordam; do outro estão os equivocados”.
“ Um equivocado
escreveu um artigo dizendo: Dos nordestinos nefastos e arcaicos,
arcaicos e nefastos para o Brasil já morreram: Antonio Conselheiro, Padre
Cícero e Lampião. Só falta agora Ariano Suassuna. (...) Aí os jornalistas se
viram prá mim, e eu digo: esse é um incompetente. Querendo me insultar recebo
um elogio. (...) Eu nunca pensei que fosse tão importante: Antonio Conselheiro
um profeta; Padre Cícero, um santo, e Lampião um guerreiro. (...) Juntando tudo
eu nunca pensei que fosse tão importante”.
“Ser poeta é muito bom. Porque eu não tenho nenhuma
obrigação de veracidade”.
(trechos retirados da aula espetáculo disponível em http://www.chongas.com.br/2014/01/aula-ariano-suassuna.Em 25 de julho.



