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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A Lista

Para quem leu a postagem anterior, pode está se perguntando: Afinal, quais os títulos citados na  Lista dos Livros que em tão "boa hora" chegaram em minhas mãos, e que, por sinal, neste último dia do ano ainda recebi de presente? Alguns, inclusive, já foram  parar em outras mãos, trocado, doado ou emprestado. O importante é fazer a fila andar, e dar espaço para que outros leitores aproveitem.

Então, segue a "Minha Lista " (alguns ainda por ler nesse 2014), com respectivos  títulos e autores:






Auto-Retrato de Khalil Gibran - Gibran Khalil Gibran
de bichos e pessoas - Clarice Lispector
Mensagem - Fernando Pessoa
A Cidade e as Serras - José Maria Eça de Queirós
José - Rubem Fonseca
História de Alagoas - Moreno Brandão
A História Escrita no Chão - Luis Sávio de Almeida
O Engenho de Açúcar No Nordeste - Manuel Diégues Junior
Era Lisboa e Chovia... - Dário Moreira de Castro
Os Enamoramentos - Javier Marías
Retalhos do Passado - Marília Calheiros Guerra
O Revisionismo Histórico Brasileiro Uma proposta para discussão)- J.F Maya Pedrosa
Entre Ossos e Escrita - Maitê Proença
Liberdade - Jonathan Franzen
Menino de Engenho- José Lins do Rêgo
Uma Busca da Verdade - A. Moacyr Uchôa
Getúlio Vargas em Dois Mundos - Wanda A. Canutti (pelo espírito de Eça de Queirós)

... e os recém-chegados:

Cartas Lacradas -Dora Openheim
Fim - Fernanda Torres









Da lista acima,entre crônicas, romances, História e autobiografias, cinco são de autores alagoanos ( Moreno Brandão; Luís Sávio de Almeida; Manuel Diégues Júnior; J. F Maya Pedrosa  e A. Moacyr Uchôa), e uma ( Marília Calheiros Guerra) nascida em São Paulo  mas criada em Alagoas e Pernambuco, onde reside atualmente. Desses, alguns são parentes (primos) e amigos. 

* Os livros estão disponíveis para trocas e empréstimos.




terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Mensagem






Em meio ao dia a dia apressado muitas vezes esquecemo-nos de lembrar e celebrar da melhor forma o Seu nascimento, os Seus ensinamentos, o Seu Natal, que nada tem a ver com aquela figura vestida de vermelho, com longas barbas brancas e que termina sendo um dos símbolos mais marcantes dessa época, enquanto o verdadeiro sentido do Natal - O Nascimento de Cristo - muitas vezes fica ofuscado pelas luzes multicoloridas do consumismo exagerado.

Que os ensinamentos do Cristo se espalhem cada vez mais na vida de cada um
Edificando e inspirando a obra humana,
como os milhares de livros que povoam as monumentais e pequeninas bibliotecas, escolas,  livrarias, internet e os lares
E que são fonte inesgotáveis de ensinamentos e prazeres no nosso caminhar .



Obrigada pelos “Presentes Preciosos” que chegaram em nossas mãos em horas certas,
e inspiraram a criar uma daqueles “Árvores ” em um cantinho de nossa casa ,
com um tanto de Kahlil Gibran, Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Eça de Queirós, Rubem Fonseca, Moreno Brandão, Sávio Almeida, Diégues Júnior, Dário Moreira de Castro,  Javier Marías, Marília Calheiros Guerra, J.F. Maya Pedrosa, Maitê Proença, Jonathan Franzen,  José Lins do Rêgo...alguns desses já lidos, relidos e  tantos outros que esperamos ler e compartilhar com outros leitores  nos dias que se seguem...

Boas Festas, Boas Leituras!








segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Então é Natal...

Sábado passado pegamos a estrada e rumanos para a Bititinga. Foi uma tarde de cantoria, encontros com antigos moradores e confraternização com a turminha que costuma frequentar as atividades do Engenho de Leitura. A mensagem natalina veio a partir da música   Então é Natal ..., da cantora Simone. Em clima de alegria ensaiamos a letra e logo improvisamos um pequeno coral com os moradores. 







Então É Natal (Simone)

Então é Natal, e o que você fez?
O ano termina, e nasce outra vez
Então é Natal, a festa Cristã
Do velho e do novo, do amor como um todo
Então bom Natal, e um ano novo também
Que seja feliz quem, souber o que é o bem.......





Genilda Rosalino, moradora da Bititinga, participou da cantoria




Aos poucos foram chegando alguns dos moradores antigos. Um deles o seu Bertoluzo, que aos 99 anos mostrou que tinha uma memória pródiga e saúde de jovem, e lembrou com minha mãe (Lena) algumas cenas do passado na Bititinga.








Outros moradores antigos, e que se juntaram ao grupo, foi o seu Felipe Mário, seu Euclides e seu Esterlino. Aproveitamos para contar histórias,  e as crianças estavam animadas com o sorteio de uma cesta natalina. 




Sempre atento para embelezar o Clube da Bititinga, o Geraldo  foi rápido em colocar   a placa que levamos para o Jardim da Vovó, e esperamos em 2014 colher as Margaridas, Beneditas, Rosas....enfim, para cada vovó uma homenagem dos netos, moradores e ex-moradores da Bititinga que querem ver o lugar reflorescer.




Convidado pelo Alcides Gerard, que sempre ajuda no apoio do som no Clube, o Louis deu uma voltinha na motocicleta pela estrada da ex-usina

Na despedida, já no finalzinho da tarde, a imagem da lua crescente deste mês de dezembro, embelezando o céu da Bititinga.

O blog deseja-lhes um  Natal Feliz!



Lista de Livros – Engenho de Leitura Bititinga 

Infanto-juvenil

Luana -A menina que viu o Brasil Neném – Aroldo Macedo
Os Doze Trabalhos de Hércules – Monteiro Lobato – FNLIJ
Rindo Na copa –Marcelo Cavalcante – Sesc
Um Furo no Mundo – Tiago de Melo
Didáticos/referência

Dicionário Escolar – Douglas Tufano






quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Maceió Massayó




Maceió

No engenho Massayó
um dia a cidade nasceu
e em meio a ladeira e o alagado
uma capela foi erguida.

Aos poucos o espaço avançou
e um povoado se fez
Nobres, ricos e pobres
habitavam a terra anfíbia.

Liberta da vizinha Capitania (Pernambuco)
uma nova vila surgia,
e veio o imperador
Conferir tantas riquezas.

 Em vez de curral, uma praça
cercada de construções imponentes,
e muitas histórias contadas
algumas de estremecer
o velho sobrado e a fé  
que habitam o engenho de outrora.

(por vanessa Omena, do livro de poesias inédito "os dias brancos")

Clique aqui para ver mais fotos antigas de Maceió


domingo, 1 de dezembro de 2013

Reflexões sobre leitura

Deixo aqui  trechos das reflexões do educador e filósofo brasileiro Paulo Freire sobre a importância da leitura:



 Paulo Freire:  Patrono da Educação Brasileira.


“A leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra. O ato de ler se veio dando na sua experiência existencial. O ato de ler o mundo implica uma leitura dentro e fora de mim. Implica na relação que eu tenho com esse mundo”.

“Ler é uma operação inteligente, difícil, exigente, mas gratificante. Ninguém lê ou estuda autenticamente se não assume, diante do texto ou do objeto da curiosidade a forma crítica de ser ou de estar sendo sujeito da curiosidade, sujeito da leitura, sujeito do processo de conhecer em que se acha".


Ler é procurar buscar criar a compreensão do lido; daí, entre outros pontos fundamentais, a importância do ensino correto da leitura e da escrita. É que ensinar a ler é engajar-se numa experiência criativa em torno da compreensão. Da compreensão e da comunicação".

sábado, 23 de novembro de 2013

Clima Natalino

A biblioteca da Bitititinga já está em clima de Natal. O Geraldo e a Cida já montaram uma árvore e enfeitaram a entrada da salinha anexa ao Clube. Até o presépio já foi montado. Vale a pena todos colaborarem com a decoração, inclusive com ideias originais que podem dar aquele toque especial. 



O clima natalino é sempre bom para "arrumar a casa" e deixá-la mais cuidado para começar um novo ano.


Mesmo simples, ou com um toque original, a decoração de natal é sempre um símbolo forte  nos lares, empresas, lojas, escolas, rua... Nessa hora a criatividade sempre é bem vinda!


Pisca-pisca estrelinha,
pisca pisca lá no céu
por detrás daqueles morro
mora o "Papai Noel".....












Olha só que ideias originais nós encontramos no site hiperoriginal de àrvores feitas com PAPEL e LIVROS.
Galhos secos e plantas naturais também podem ser uma ótima opção para deixar seu natal com um toque original.




segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O texto da Cida

Não é de hoje que o nosso velho Sertão castigado de "guerra" (nesse caso a secular falta de políticas públicas para que o sertanejo - antes de tudo um forte - conviva com o chamado fenômeno da seca - embora já podemos ver melhoras),  tem sido tema da nossa vasta literatura regional, que há muito rompeu fronteiras e ganhou mundo. Que o diga o personagem Fabiano, do famoso romance Vidas Secas, do Mestre Graça. Na música a Asa Branca bateu asas e voou temendo a fome, dizia Gonzagão. Outro dia, levamos para a Biblioteca Comunitária da Bititinga o livro O voo da Asa Branca (editora Prumo), do carioca  Rogério Soud,  uma releitura ilustrada da canção Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira (Estante FNLIJ). Pedimos a Aparecida, sertaneja que é, para fazer um texto sobre o Sertão baseada nas imagens do livro e em suas memórias. Nascida e criada no sertão alagoano, a filha de Victor, o Vaqueiro Destemido de Major Izidoro, Cida fez bonito, e nos presenteia com uma abordagem atemporal sobre o nosso tão falado Sertão. Segue o texto da Cida: A Vida no Sertão.

A sertaneja Aparecida , a Cida,  moradora da Bititinga, com Alcides, um de seus filho, é responsável, junto com Geraldo Rosalino, pelo acervo da Biblioteca


A Vida no Sertão
Maria Aparecida dos Santos*



                       
A vida do sertanejo é muito sofrida, terra seca, sem água potável  para se beber, o gado morrendo sem ter o que comer, ainda bem que se planta muita palma, para matar a fome e a sede do gado.

A terra se partindo de tão grande que é a seca, toda a população e principalmente as crianças, procurando um pouco de água para matar sua sede, e você olhar para todos os recipientes de casa e ver que estão todos vazios, dá um desespero...
Só lhes resta ir até um açude, este mesmo, quase que na lama, por falta de chuva... Você olha e não vê outra opção, se não encher seus baldes ou potes e sair com eles na cabeça, desta água se bebe, se cozinha, lava roupas, sem mesmo se preocupar, com os perigos, que esta pode trazer à saúde.

No Sertão você só vê as árvores com seus galhos secos, queimados pelo sol. O sertanejo chora e lamenta por ver seu rebanho morrendo. Eles fazem procissão com o balde na cabeça, para que Deus mande logo chuva. Com essa situação tão caótica muitos sertanejos abandonam suas casas, deixando ali suas famílias sem mesmo ter o que comer, e parte em busca de uma vida melhor na cidade grande. Só que chegando na cidade grande é mais um sofrimento, porque o sertanejo só sabe mesmo é cuidar de gado e lavoura.

Muitos ainda vivem em casinhas bem humildes, é muito sofrimento para seus filhos verem a mãe chorando por não terem nem um pedaço de pão para alimentá-los. Mesmo assim, o sertanejo ainda persevera na luta, vivendo cada um como pode, comprando água a 7,00 ou a 10,00 R$ a carga de água, mas aqueles que não têm dinheiro para comorar água, tem que beber água suja, às vezes lameada, ou como diz o sertanejo “água barrenta mesmo”. Diante de tanto sofrimento e tristeza, são felizes. Olhando para o céu, debaixo de um sol escaldante, veem o voo de uma pombinha branca, bem no alto como se quisesse transmitir alguma mensagem de fé e esperança.


* Sertaneja e moradora da Bititinga.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Chegaram!!!

Os dois livrinhos da coleção Infantil LEIA PARA UMA CRIANÇA, da Fundação Itaú Cultural já chegaram aqui em casa, e daqui seguem para a Biblioteca Comunitária da Bititinga.  O Programa, que distribui livros para estimular  a leitura de um adulto para uma criança, este  ano escolheu os  seguintes títulos: O Mundo Inteiro, da escritora e ilustradora amercianas, Liz garton Scanlon e Marla Frazee,  com tradução de  Marília Gracia,  E o dente ainda dói, da brasileira, do Rio Grande do Sul, Ana Terra. Para receber os livrinhos em casa é só preencher o formulário no site do Itaú, e os livros chegam gratuitamente enquanto durar os estoques.



Lindas estórias com belas ilustrações são distribuídos durante a campanha.



Na vida cotidiana, muitas vezes sem tempo, os livrinhos vão passando desapercebidas no dia-a-dia de uma criança. Muitas vezes estão apenas lá, como enfeites, ou algo para se ler na escola, ou de vez em quando antes de dormir. Muitos adultos até gostam de ver os filhos lendo, ali, silenciosos, quem sabe aprendendo alguma coisa bem legal . Mas para os pequeninos, os que ainda não despertaram para o mundo da leitura, é preciso que um adulto , pais, irmãos, tios , avós... abram os livros, contem as estórias e se encantem junto com as crianças. Eu e o Lu Já lemos, e adoramos!!!










domingo, 10 de novembro de 2013

De volta!

Em plena safra da cana-de-açucar é comum encontrar pela estrada os caminhões  de usinas de açúcar transportando a colheita às margens da rodovia. Uma cena que se repete há décadas nesse período que vai de setembro até março por essa região. Cultura implantada pelo colonizador português para fazer o povoamento do Brasil - após o ciclo de exploração do pau-brasil -, a cana-de-açucar continua sendo a principal lavoura que  movimenta a economia alagoana, responsável pela geração de milhares de postos de trabalho no campo,  apesar da derrocada de muitas unidades industriais, principalmente nessa região da mata alagoana, como foi o caso da Bititinga, em meados da década de 90. 

Transporte de cana-de-açucar movimenta as estradas alagoanas


O intenso movimento na estrada requer sempre muita atenção de quem trafega por essas estradas. Hoje, muitas terras e fazendas que pertenciam à antigas usinas são alvo de ocupações do movimentos sem-terra para fins de reforma agrária, e outras são adquiridas em leilões e transformadas em propriedads privadas para a pecuária.  A atração de novas indústrias e serviços tem sido um grande desafio para muitos municípios da região no sentido de gerar emprego e renda para a população. 



Colheita da cana : cena comum na época de safra da lavoura canavieira
 


Por outro lado, o investimento em educação e na capacitação de mão de obra são ações que não podem parar. Na Bititinga a pequena Biblioteca Comunitária funciona como uma espécie de ponto de encontro dos moradores, e aqui os livros estão sempre a espera de novos leitores. MAS É PRECISO QUE TODOS SE SINTAM ESTIMULADOS PARA PARTICIPAR E TROCAR IDEIAS. 





Conversamos sobre a Bienal  do livro e o Geraldo Rosalino disse que esteve no evento, e ficou impressionado com a quantidade de pessoas - muitas delas crianças - que foram ao Centro Cultural de Maceió para conhecer o "Universo Literário", o que só demonstra o encanto que o livro tem sobre crianças e também os que já foram crianças.

Cada livrinho novo que vai  chegando para a biblioteca traz uma  mensagem que pode ser compartilhada nas leituras. Nesse sábado (9) foi a Stéphane quem leu a história para outras crianças e os adultos presentes. o infantil Renatinho não quer se cuidar ,  conta a história de um menino que descobre o quanto é importante cuidar de sua higiene pessoal. Afinal não é legal ser Cascão!!!!









As pequenas Daniela e Yasmin também estiveram presentes e adoraram as estórias e ilustrações dos clássicos infantis que encantam gerações do mundo inteiro. A ideia é que as crianças maiores e os adultos que sabem ler possam fazer as leituras das estorinhas para aqueles que ainda não sabem ler.





Lista de Livros – Bienal (9/11/2013)

Infantil 

A Princesa e o Sapo
A pequena Sereia
Pinóquio
Renatinho Não quer se Cuidar

Doadores: Vanessa e Louis






segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Os "últimos" posts

             

Quem andou lendo os últimos posts do nosso blog percebeu que deixei de falar um pouco  das atividades habituais do Engenho de Leitura  Bititinga e me aventurei a mostrar um pouco – e foi mesmo  só um pouquinho  –,  de tudo o que foi os 10 dias dessa 6ª edição da Bienal  Internacional do Livro de Alagoas. Durante esses dias, eu, e mais  260* mil pessoas (entre os alagoanos e de outras paragens)  estivemos no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso – o Centro de Convenções de Maceió, - para participar de um evento que, comprovadamente, se tornou no maior evento cultural do nosso Estado - tão cheio de histórias, belezas  e talentos, como  também tão criticado por conta de alguns maus serviços e da violência, mal que, infelizmente, tem dominado muitas páginas de jornais que poderiam falar de coisas boas, criativas, pacíficas e interessantes como um evento como esse, onde as pessoas, em sua maioria, foram se divertir , passear, e levaram na bagagem, certamente, algum conhecimento novo.  Dos 10 dias do evento tive o privilégio – com certeza por está na condição de desempregada – de ter ido a pelo menos metade dos dias em que aconteceram a programação, o que me deu a possibilidade de dimensionar o que a bienal representou no cotidiano de muita gente, entre crianças, jovens estudantes,  universitários, professores,  além de famílias e adultos em geral que estiveram  participando de alguma palestra, seminário, fóruns,  minicursos, lançamentos, oficinas, contações de estórias, ou simplesmente olhando as novidades – e a profusão de títulos – existentes nos vários estandes da bienal, entre editoras comerciais, universitárias, públicas e de instituições. E havia de tudo!

Uma mostra foi o que eu mesma e meu filho trouxemos para casa, além do que eu pude ver no entusiasmo de outras pessoas, como a amiga Stella e a filha Luana, pessoas com quem eu encontrei, junto com uma de minhas irmãs, ainda no domingo, já no finalzinho da bienal. Muitas editoras colocaram preços promocionais, como foi o caso da Edufal, e mesmo sem ter sido  livros de lançamento muita gente comprou obras importantes e com um bom preço. Em minhas andanças de “garimpagem” trouxe o Engenho de Açúcar do Nordeste, do alagoano Manuel Diégues Júnior (Edufal), algo que me interessa para as minhas atuais pesquisas, mas  encontrei promoções em quase todas as editoras, algumas com até 50% de desconto, uma oportunidade para quem gosta de sair garimpando pelos estandes. Outros livros que trouxe na bagagem, foi Alagoas, gênese, identidade e ensino, de Leda Almeida (Edufal); A  Ilha, do poeta alagoano Carlos Moliterno (3ª Edição, Edufal) – presente que dei para a minha mãe, e que trouxe boas lembranças de família -; A educação Infantil em Alagoas, de Elza Maria da Silva (Edufal); mar que me afagas, livro de poesia do  português  Marcos Manuel Girão; e já no finalzinho, bem no último dia, um livro pocket (de bolso), Entre ossos e a escrita, de Maitê Proença (PocketOuro, selo da Agir Editora), uma das atrações convidadas  para lançamentos de livros e palestras durante a Bienal. Se gastei, sai economizando ainda mais. Ah! esqueci de dizer que comprei alguns livrinhos clássicos infantis, cujos preços variavam entre 3, 5, 10 reais, entre eles o Pinóquio (edição made in China, com capa dura e visual atraente),  e que vamos levar para o acervo da Biblioteca Comunitária da Bititinga, e certamente fará a alegria da turminha que participa das nossas rodas de leitura, e fará parte do acervo. Já meu filho, agora com quase 13 anos, comprou no estande da Beaba, com desconto da livreira Lydia,  o livro Hobbitt, de J.R.R. Tolkien (Martinsfontes), pois é da idade – e de seu gosto pessoal- as ficções  do clássico moderno e prelúdio da saga O Senhor dos Anéis, alguns  já vistos por ele no cinema ou em dvd. No último dia da Bienal, encontramos, pela metade do preço, o Guinness Worlds Records 2013, uma edição que lhe chamava a atenção desde outras feiras e bienais e que até então não foi possível comprar. Espero, agora, que ele faça um bom proveito – eu mesma, como mãe, vou também acompanhar e querer saber das curiosidades. E as opções para o infanto-juvenil são sempre bem atraentes, e cada vez mais com obras de autores da terra, alguns dos quais, revelados em editais e prêmios literários.





Ainda discorrendo sobre os vários títulos, gêneros e, claro, o valor que o livro possui para cada um (e aqui não falo apenas do valor monetário), pude comprovar a felicidade estampada no rosto da Stella, que tinha encontrado vários livros, “ e por um preço bem legal”, e que ela já vinha “namorando”, entre algumas outras novidades. Para a filha e a neta os livrinhos infantis, e que eu vi muita gente comprando, e que é mesmo uma ótima opção para presentear, ainda mais já nas portas da época natalina. Entre os livros da Stella, e que ela fez questão de me mostrar ainda no calor da Bienal, havia um livro de culinária de feiticeiras, de uma escritora francesa, e que a atraiu, também, pela delicadeza das ilustrações.  Um verdadeiro achado! Além de leitora contumaz, a Stella também adora decorar ambientes com aqueles livros de capas tão lindas-, mas que também possuem, certamente, o seu valor no recheio.




Sabemos que muitos pessoas voltaram sem livros novos para casa, embora alguns estandes distribuíram folhetos e cartilhas, fizeram contação, e sem falar dos folhetos de cordel, sempre com preços bem acessíveis e com temas (os motes) para todos os gostos (Até ganhei um do pedagogo , poeta-ator e cordelista, Demis Santana, com quem eu participei de uma das tantas oficinas oferecidas durante à Bienal). Soube, inclusive – embora não tenha conhecimento da dimensão dessa iniciativa – que a Prefeitura de Maceió teve uma iniciativa pioneira em prol do incentivo à leitura, distribuindo um Vale- Livro, para alunos da rede municipal de ensino, com um crédito de R$ 10 reais para que o aluno adquirisse um livrinho de sua escolha durante a visita com a escola. Talvez, para alguns, esse valor seja apenas simbólico, mas foi de fato uma iniciativa que merece ser ampliada para atingir mais alunos da rede pública. A própria organização da Bienal também recebeu doações de várias editoras e de autores, e soube que os livros vão ser direcionados a escolas de municípios com baixos índices de desenvolvimento humano, numa forma de contribuir para o acesso e o incentivo à leitura.

No geral, o que ficou dessa sexta edição da Bienal do livro foi que, apesar dos avanços tecnológicos da Era Digital e da globalização, da violência que assusta, da mesmice que muitas vezes se instala, das seduções do consumo do super supérfluo, eventos como este é uma verdadeira festa democrática, de gosto, público, preços e atrações, e também lugar de encontros e reencontros com  pessoas que, como eu, também estão em busca desses lugares e contato com os livros.

Faltei falar de Portugal, o país homenageado desta edição, e que nessas minhas andanças terminou por me proporcionar alguns encontros, e também desencontros com o que mais viria do além-mar, e que termina por ser fundamental para dimensionar a programação de eventos desse porte, que, creio, cada vez ficará mais interessante e atraente para todos os públicos.

De parabéns a Ufal, e a sua Edufal, com a ajuda dos patrocinadores, pela ousadia em tornar Maceió palco de um evento como este, sendo esta a única Bienal do país organizada por uma universidade, segundo soube.

Registro aqui um post, que li na rede social, na página da Bienal, feito ontem por uma visitante: “Quem foi, foi. Quem não foi perdeu”.

È verdade. Agora é esperar a próxima, em 2015.
(OV)


*260 mil visitantes, foi o número divulgado pelos organizadores do evento.








domingo, 3 de novembro de 2013

Do cordel ao digital


Enquanto a literatura digital , tema de uma oficina com a professora de literatura da Ufal, Giselly de Moraes, vem  ocupando cada vez mais  espaços  com o advento do computador - e  de todas as suas funções e aplicativos que mexem com o sentido e a imaginação dos leitores -, a velha literatura de cordel , oriunda da tradição oral europeia  e do trovadorismo, continua  sendo  alvo de interesse de muita gente que aprecia a arte popular de  contar estória. 






O  cordel nosso de cada dia, foi o tema de uma oficina com os cordelistas Dêmis Santana e Jorge Calheiros. Mesmo com alguns afirmando que o cordel está em decadência, e que já não se vê nas feiras livres como antigamente, Dêmis Santana diz que o cordel por encomenda tem   sido bastante utilizado por empresas em campanhas publicitárias e em instituições, públicas e privadas, pela facilidade de sua mensagem, com versos em rimas, atingir públicos específicos sobre diversos temas, os chamados motes do cordel, facilitando, com doses de humor  as mensagens ao  público.


Oficina  discutiu o fazer do cordel

Na oficina de  Literatura digital, também chamada de literatura eletrônica e virtual, a professora e pesquisadora da Ufal disse que embora o assunto seja novo e objeto de pesquisas, a literatura digital se une ao texto verbal - ao mundo da palavra - para uma experiência multimodal, onde som, imagem e movimento provocam reações diferentes no leitor.  "Da mesma forma que as ilustrações passaram a dar outras possibilidades aos livros infantis  a  literatura digital traz novas possibilidades para o mundo da leitura", disse Giselly, citando algumas exemplos como a ciberpoesia.

Embora com um público reduzido, a oficina debateu um tema instigante como a literatura digital

Outro tema que marcou presença nessa bienal, já considerada a mais diversificada dos últimos tempos pela grande quantidade de palestras, oficinas, minicursos, lançamentos  e seminários, com atrações capazes de atrairem um grande público, foi a sexualidade. O público, a maioria jovens, lotou um dos auditórios do evento para ouvir a palestra Altos papos sobre sexo, com a psicóloga e educadora sexual Laura Muller, autora de vários livros sobre o tema. Com o auditório lotado foi montado um telão,do lado de fora do auditório, para que o público acompanhasse o bate-papo.

Palestra da sexóloga  Laura Muller atraiu um grande público


No estande da Secretária Estadual de Cultura alguns autores alagoanos falavam da dificuldade em ter uma maior visibilidade em suas produções independentes, embora a ideia seja criar uma vitrine virtual no portal dos escritores alagoanos, entre outras iniciativas.

Alguns autores alagoanos falam da pouca visibilidade de suas obras


Ainda aproveitando esses últimos dias de Bienal - termina neste domingo, 3 - ainda encontrei alguns escritores da terra, entre os quais o professor Sávio Almeida, que lançou novos títulos de seus estudos como sociólogo e pesquisador, e com quem eu tive o prazer de participar, como aluna-ouvinte, de suas aulas da disciplina A  Formação do Espaço Alagoano,  que faz parte do curso de mestrado em arquitetura da Ufal....

Sociólogo Luis Sávio de Almeida lançando Chrônicas Alagoanas





Poeta Jucá Santos, novo  imortal da Academia Alagoana de Letras

... e o poeta Jucá Santos, que  me convidou para a sua posse na Academia Alagoana de Letras, no próximo dia 5 de Dezembro, e em uma alegre conversa disse que, após ler o livro O caminho se faz caminhando, de minha autoria, editado em Portugal (1999, editora Pergaminho), foi também dá um abraço em Santiago de Compostela. Ultreya!

sábado, 2 de novembro de 2013

Tarde Poética

À caminho do Fórum Literário Internacional meus olhos foram atraídos para a Praça de Autógrafos, montada no salão do Centro Cultural para receber artistas e escritores independentes que vieram lançar suas obras na VI Bienal Internacional do Livro de Alagoas.
 O poeta e artista  português Marcos Girão, atualmente morando em Natal/RN, é o autor do livro  mar que me afagas, com algumas poesias inspiradas no "Oceano" ,  que também inspirou o seu famoso conterrâneo, o poeta Fernando Pessoa, ao escrever o seu Mar Português, poema que  faz parte do livro Mensagem, uma das obras- primas da literatura de língua portuguesa: Ó mar salgado, quanto do teu sal são  lágrimas de Portugal!



O poeta e artista Girão, ao lado da esposa, lançando seu livro  mar que me afagas



Natural de Beja, região do Alentejo, Marcos Manuel Girão trabalhou como marinheiro e atravessou muitos mares até  desembarcar no litoral brasileiro.  Autor da própria capa e ilustrações de seu livro ele é conhecido por sua arte em pintar quadros, desenha caricaturas,  e gosta de declamar seus poemas.



Já na entrada para para o Fórum literário encontramos o poeta alagoano Rosalvo Acioli se preparando para receber os convidados para o segundo dia de apresentações e debates do Fórum Literário Internacional que trouxe à Maceió poetas, ensaístas, tradutores e importantes nomes  da crítica literária nacional e internacional .


Fórum Literário Internacional, em sua segunda edição, organizado pelo poeta Rosalvo Acioli




Neste segunda dia ( pena que não pude participar das apresentações do dia anterior), a professora do Departamento de Estudos Lusófanos da UFR d`Etudes Ibériques et Ibéro-américaines da Universidade Paris III (Sorbonne), especialista em poesia e ficção contemporâneas, Catherine Dumas, fez uma apresentação sobre o tema Nomadismo em poesia. Falando em bom portugês europeu (Ibérico) a ensaísta e tradutora de poetas portugueses e brasileiros como Gilberto Meondonça Teles e Pedro Lyra, falou da poesia como experiência humana, discorrendo sobre o sujeito nômade,  a geopoética e o poema mundo.


Doutora em Literatura, a francesa Catherine Dumas


Na plateia, o poeta  Gilberto Mendonça Teles acompanhava a apresentação e declamou alguns de seus poemas e textos em prosa que foram analisados pela ensaísta  para discorrer sobre conceitos como o nomadismo, palavra que vem da antropologia mas que é aplicada ao "fazer mundo", onde o poeta se liberta de seus território para o não-lugar. Na verdade onde está o poeta? Tal debate teve como mediador o poeta e ensaísta Antonio Miranda, autor da peça Teu país está feliz, publicada no Brasil em 1979 e encenada em mais de 20 países.

O poeta é um fingidor, já dizia Fernando Pessoa, ao se multiplicar na esperança de atingir uma totalidade universal.




A segunda apresentação foi do ensaísta e tradutor Rumen Stoyanov, professor de Literatura e Civilização Brasileira na Universidade de Sófia, na Bulgária , e que recebeu em 2012 o título de doutor honoris causa da Universidade de Brasília, cidade onde foi adido cultural e professor. Falando sobre a presença literária do Brasil na Bulgária, o também poeta e escritor Rumen Stoyanov, que traduziu para o búlgaro o livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos, entre vários outros, disse que " realmente na Bulgária tem uma abundância de título brasileiros, seja em livros ou em publicação em jornais , revistas e suplementos literários". O professor pontuou de forma cronológica a presença das publicações brasileiras na Bulgária, desde à epoca da dominação do território pelos turcos, onde já existia o interesse por textos de autores brasileiros traduzidos para o búlgaro até a contemporaneidade: "Cada vez mais a presença literária no Brasil é muito ampla e cada vez mais variada". 

É preciso registrar a ousadia do poeta alagoano Rosalvo Acioli, talvez ainda pouco conhecido comercialmente, mas com obras admiráveis pela crítica, e capaz de trazer nomes importantes para Maceió, para discutir com profundidade o fazer literário. Mais informações no site do fórum literário.