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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Jardineiro e artesão

Ainda nas caminhadas pela Feirinha de Artesanato da Pajuçara - um lugar sempre com boas ideias para quem quer empreender com a arte - encontramos com o Severino, que de dia trabalha como jardineiro e à noite expõe sua arte na Praça dos Sete Coqueiros, uma vez que ele não possui um ponto fixo na feirinha.






Lugar sempre movimentado, por turistas e caminhantes, quem caminha pela orla está sempre dando uma olhada nos produtos expostos nas imediações da feirinha. O Severino diz que gosta de fazer peças decorativas usando placas de MDF (material oriundo da madeira, fabricado com resinas sintéticas) , com temas musicais, letras e bailarinas. Para ele o trabalho como artesão complementa sua renda como jardineiro, e mostra que o Severino tem talento e também  boa ideias.






Pois é... tudo isso lembra o lema: Boa ideias, Grandes Negócios!



Artesãos comercializam suas peças na orla de Maceió





Ponto de venda sempre atrai a atenção de quem passa pela orla

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Arte em Madeira

Outro dia, caminhando pela Feirinha da Pajuçara - ponto turistico da orla de Maceió - deparei com a lojinha do Lenilson, cheia de artesanto feito em madeira. Achei que seria uma boa ideia  ter uma dessas para decorar a salinha da Bibilioteca Comunitária da Bititinga.





Apenas encomendei a placa com os dizeres e, se possível, com o desenho de um livro, mas coube ao artesão inserir uma frase que  muito tem a ver com o nosso projeto de Leitura:  Quanto Mais Você Lê Mais Tem Opinião.




Já tinha encontrado outras plaquinhas e talhas em madeira com arte e dizeres diversos, mas sempre que pedia uma encomenda diziam que o fornecedor ou artesão era de outro estado, e assim podia demorar ou então teria que fazer mais que um pedido. Nesta loja da feirinha o artesão é o próprio dono do ponto de venda e aceitava encomenda para o dia seguinte.


O artesão Lenilson Geraldo começou fazendo arte em talhas e depois foi criando formas de animais que são usados para inúmeros utensílios, além de uma variedade de chaveiros personalizados e peças decorativas, porta-lápis, livrinhos de madeira e também brinquedos. 

Inúmeros objetos e placas são feitos pelo artesão



As peças são exposta na feirinha de artesanato da Pajuçara


O artesão morou em União dos Palmares, zona da mata alagoana, e é reconhecido como "Artista da Terra", mas diz que se tornou artesão  por necessidade, quandoi estava desempregado, e hoje a venda de seus trabalhos na feirinha é a sua principal fonte de renda. Foi responsável pela implantação da oficina de artesanato para os reeducandos, mas o projeto não foi adiante por falta de condições para manter as atividades da oficina. Ele diz que é preciso investimento para manter as oficinas que requer um espaço adequado, maquinário como serras elétricas, cola e a próprio matéria -prima, que muita vezes vinha de doações. 
Aliás, oficinas como essa deveria ter maior atenção por parte dos gestores, uma vez que além de ocupar o reeducando pode amanhã servir de fonte de renda, como é o caso do Lenilson e de outros que vivem de sua arte.







Todo o material usado na confecção das peças, segundo o artesão, é de madeira reciclada, e vale lembrar que  as frases podem ser feitas ao gosto do freguês (no caso de encomendas), mas Lenilson Geraldo tem sempre boa opções.








domingo, 20 de outubro de 2013

"Poetinha"

Conhecido como " Poetinha" o carioca Vinicius de Moraes (1913-1980) tem sido cultuado ao longo dos tempos por suas inesquecíveis composições poéticas, que tratam sobretudo do amor. Seu centenário de nascimento - 19 de outubro - foi lembrado com homenagens de artistas e pessoas em geral  que se identificam com a sua obra.




Vinícius de Moraes

Várias frases de Vinicius, como a postada acima, retirada de suas inúmeras composições, são usadas  para expressar muitos momentos de vida,  demostrando que a poesia está sempre presente no dia-a-dia .

domingo, 13 de outubro de 2013

Dia de chuva

Um sábado chuvoso, nesse feriado do dia da Padroeira do Brasil Nossa Senhora Aparecida, marcou nossa ida rumo à Bititinga para as atividades do Dia das Crianças. Já na curva, de onde antes se avistava o grande e velho bueiro* da usina, inevitável não lembrar do coro de quem  um dia também já foi criança: Olha o bueiro da usina Bitiitinga! Olha o Bueiro da usina Bitiitinga! . Daquela curva  já dava para avistar a neblina pairando nos morros mais altos, naquele pedacinho recortado da Mata Atlântica que fica na Bititinga:  a Terra da Neblina Acinzentada!

*Aqui bueiro não tem o significado de esgoto, e sim de chaminé de engenho ou usina






Paramos o carro diante do clube, e logo veio a Mocinha e os meninos para ajudar. Do lado de dentro, muita conversas  entre os pequenos e a  roda de leitura para contar uma das tantas fábulas de La Fontaine, uma leitura rápida mas que traz sempre boas reflexões.
Trouxemos também o livro doado pela escritora Lizien Danielle e o Estatuto da Criança e do Adolescente para o acervo da Biblioteca Comunutária.





Enquanto a Aparecida e algumas ajudantes organizavam o lanche as crianças estavam na maior diversão. Bolas, brindes e sorteios fizeram a festa. Levamos algumas doações como a caixa de jogos doada pelo Édson, e que ele conservava desde o tempo de menino. Tudo bem cuidado o que  mostra que quando bem cuidados os brinquedos  podem ter uma longa vida e fazer a felicidade de outras crianças. 



Assim acontece também com os livros. Por isso é importante manter o lugar onde fica o acervo sempre limpo e arejado para não criar fungos ou ser destruído pela umidade. Tratados com carinhos os livros podem ser lidos por muitos e muitos anos....





Na hora do lanche foi sorteada uma cestinha de doces, e alguns binquedos doados para as atividades do Projeto Engenho de Leitura , Artes e Empreendedorismo Bititinga. OBRIGADO!









Ficamos sabendo, pelo Alcides Gerard, filho da Cida e do Geraldo Rosalino, que  na Escola Municipal Ildefonso Prado Omena, que fica do outro lado da pista da Bititinga, um grupo de voluntários vindos de Maceió fez uma festa bem animada para a criançada da área rural Pois é,  esse "espírito de voluntariado"  é importante e vem fazendo muitas crianças felizes. 




Também levei uma mensagem em poesia, que fiz antes de sair de casa,  para distribuir na Bititinga. Pedi para alguém ler, e a Keyla mostrou que gosta de declamar. 



Mensagem para o Dia da Criança*


Vamos ser criança!
E para isso não existe idade
È preciso apenas olhar as coisas com vontade
E enxergar toda a beleza de Ser

 É um mergulho gostoso na aventura
Voar alegre como um pássaro em liberdade
E ver o sol, as nuvens, as estrelas e a natureza
Como os mais maravilhosos  presentes

É jogar bola mesmo que a bola esteja murcha
É brincar de boneca mesmo que a roupa não seja de festa
È pular corda, brincar de cabra cega e escorregar na lama

 Pois quem é criança não se engana
Que a vida é uma grande janela
Para o horizonte sem fim
E que os livros são bons companheiros
Para crescer pleno e verdadeiro.

* por vanessa omena










Na volta, a neblina voltou a fazer companhia na estrada. Até a próxima!



sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Nobel para Alice


" A vida das pessoas é interessante o suficiente se você conseguir pegá-la como ela é, monótona, simples, incrível, insondável". 

(Alice Munro)




A autora canadense Alice Munro (82) foi agraciada com o prêmio Nobel de Literatura de 2013 . O Prêmio é concedido anualmente desde 1901 pela Academia Sueca, e é uma distinção concedida para o conjunto de obra do escritor, seus principais livros, sua mentalidade, seu estilo e suas filosofias, não distinguindo uma obra em particular. Considerada " mestre de narrativas breves contemporâneas" Alice Munro é a 13ª escritora a receber a premiação, que teve o português José Saramago como único escritor de língua portuguesa a ser laureado com o Nobel de Literatura, em 1997.


Em tempo: O químico e industrial sueco Alfred Nobel (1883-1896) foi o criador do Premio Nobel. Usou sua fortuna para ajudar as organizações pacifistas e, antes de morrer, deixou seus bens para uma fundação que premiasse anualmente, cinco personalidades de destaque mundial da física, química, medicina, literatura e em especial a quem contribuísse de maneira notável para a paz entre os homens, receberia o Prêmio Nobel da Paz.

domingo, 6 de outubro de 2013

Um vaqueiro destemido!

Nas conversas com os moradores da Bititinga vão surgindo histórias interessantes, como a da família da Aparecida, a Cida, que é filha de um sertanejo que tomou fama por sua destreza como vaqueiro.  Foi a partir do livro Asa Branca, que levamos para a biblioteca comunitária,  que puxei conversa com a Cida, que antes de vir morar com o Geraldo, na Bititinga, vivia com  sua grande família em Major Izidoro, no sertão alagoano. Instigada pelas conversas de Lampião e da caatinga, a Cida foi buscar em casa uns jornais e um livrinho de cordel- ainda datilografado - contando a história da vida de seu pai: Vitor ou Victor Ferreira da Silva.




Aparecida, sertaneja , filha de Victor Ferreira " O Vaqueiro Destemido", de autoria do compositor Valdo Bolinho



Conta a Cida que o patriarca, que era parente e amigo de Virgulino Ferreira, o Lampião, levou uma vida honesta  como tropeiro, carreiro, comerciante de bode e rapadura e vaqueiro dos bons. Nascido em  Maniçoba, em Pernambuco, em 1900, Vitor morreu em 2009, aos 110 anos, deixando seus 27 filhos, e até então 175 netos, 103 bisnetos e 86 trinetos. A Cida é filha da última esposa do vaqueiro Vitor, dona Maria Albina Costa da Silva









Na reportagem do Jornal Tribuna do Sertão (em 18 de janeiro de 2010) um dos afilhados de Vitor Ferreira, Azeário Ferreira, lembra da vivência do vaqueiro, que apesar de ter sido parente e amigo de Lampião, foi aconselhado a não entrar no cangaço.





 





 Escrito em literatura de cordel, e guardado com muito orgulho e carinho pela Cida,  o folheto traz lembranças de sua vida, ainda não Sertão, quando o pai levava a vida trabalhando duro para sustentar a família, tendo muitas vezes que migrar para outros lados, a fim de arrumar emprego honesto e não ser enganado pelo patrão. No livrinho, de autoria do compositor Valdo Bolinha, reza a lenda que Victor, o Vaqueiro Destemido tinha poderes de encantar-se em noites de lua cheia, e assim a fama corria na boca do povo. 


Imagem da caatinga (do Tupi Caa- Mato , e Tinga, branco). Tipo de floresta do Nordeste brasileiro.


Nas lembranças da Cida , o pai nunca entrava na caatinga, mesmo à noite, para sair sem os animais perdidos, pois sempre voltava antes dos outros pares, trazendo com ele toda a boiada. Victor ficou na história popular, de fato como um grande vaqueiro, daqueles dos bons, mas que apesar de seus 110 anos não chegou a ter a recompensada de ver a sua profissão de vaqueiro reconhecida e regulamentada.


Moradora responsável, junto como marido Geraldo Rosalino, pela biblioteca comunitária da Bittinga, a Cida tem muitas histórias para contar de sua vivência no sertão alagoano.



Em suas pesquisas e publicações, o folclorista Théo Brandão recolheu muitas histórias  que foram parar nos Novíssimos Romances do Gado, trabalho que ele escreveu e está publicado em um de seus livros (Folclore de Alagoas I, Maceió 1982). Nele, o folclorista comenta o novo florescimento do folclore da pecuária e do gado, a partir da difusão em todo o nordeste da vaqueijada, denominada Corrida de Moirão. Nelas há sobretudo oportunidade para a execução de duas modalidades de cantos: os aboios de gado e as toadas de vaqueiro ou de vaquejadas, cantando os feitos dos que praticam a vaqueijada .

(...)

Na caatinga do sertão
No tempo da vaquejada
Se reune os fazendeiros
Naquela festa animada
Para assistir à pega
Da novilhinha pintada
Ê boi, ...
(Trecho de toada cantada por Enoque e Etelvino- "Pega da Novilha", recolhida por Théo Brandão em 1953).


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Dia dos Poetas

Quatro de Outubro é a data em que se comemora internacionalmente o Dia dos Poetas. Embora a poesia   não seja tão cultuada como antigamente - pelo menos como gênero literário  preferido da nova geração -, ela continua viva e despertando emoções no leitor. Berço de grandes poetas como Jorge de Lima, Ledo Ivo , Carlos Moliterno e tantos outros, o movimento poético alagoano também se expande por meio de blogs - como uma alternativa de novos poetas mostrarem o que muitas vezes é difícil  publicar no formato de livro - e de  iniciativas como o Projeto Papel no Varal, que vem realizando ações culturais para trazer a poesia para  o cotidiano das pessoas.





 Recentemente reli " Cartas a um jovem poeta"*, de Rainer Maria Rilke (1838-1906) , que nasceu em Praga (então parte do império Austro-Húngaro) e deixou um legado dos mais preciosos para a geração de poetas que viriam a seguir. O livrinho - que é pequeno apenas no tamanho - é em um apanhado de cartas que Rilke escreveu ao jovem Franz Kappus em respostas as inquietações do jovem que ambicionava ser poeta. Nas correpondências, publicadas três anos após a morte de Rilke, a beleza da prosa e a riqueza de seu pensamento se revelam plenamente. Segue um trecho da carta , datada em 1903, em Paris.

(...)

Uma obra de arte é boa quando surge de uma necessidade. É no modo como ela se origina que se encontra o seu valor, não há nenhum outro critério. Por isso, prezado senhor, eu não saberia dar nenhum conselho senão este: voltar-se para si mesmo e sondar as profundezas de onde vem a sua vida; nessa fonte o senhor encontará a resposta para a questão de saber se precisa criar. Aceite-a como ela for, sem interpretá-la. Talvez ela revele que o senhor é chamado a ser um artista. Nesse caso, aceite sua sorte e a suporte, com seu peso e sua grandeza, sem perguntar nunca pela recompensa que vir de fora. Pois o criador tem de ser um mundo para si mesmo e encontrar tudo em si mesmo e na natureza, da qual se aproximou.




*( L&PM pocket plus, Tradução de Pedro Sussekind)