O buraco no asfalto não tem poesia.
É um buraco, apenas.
Resultado do desgaste do pavimento
do peso do tempo,
das águas que passam,
e do descaso humano.
Mas o buraco, que é motivo de reclamação,
é quase uma obra d`arte.
É o recorte necessário
para expor a chaga.
É preciso tratar a ferida,
lidando energicamente
com
mãos humanas:
cirurgia que requer ciência.
Primeiro é mister limpar.
Fazer o corte preciso
e aplicar a dose certa
de pré-misturado (brita e areia),
e mais a emulsão para dar a liga.
A medida é correta, exata, concreto.
O buraco, então, vai tomando a forma.
Se recompõe.
E o rolo compressor apalpa,
o que o tempo vai se encarregar de abrir
novamente.
E o buraco no asfalto se torna poesia,
concreta.
(Vanessa Omena)
(Vanessa Omena)

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