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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Poesia



Tapa – buraco







O buraco no asfalto não tem poesia.

É um buraco, apenas.

Resultado do desgaste do pavimento

do peso do tempo,

das águas que passam,

e do descaso humano.



Mas o buraco, que é motivo de reclamação,

é quase uma obra d`arte.

É o recorte necessário

para expor a chaga.



É preciso tratar a ferida,

lidando energicamente

com  mãos humanas:

cirurgia que requer ciência.



Primeiro é mister limpar.

Fazer o corte preciso

e aplicar a dose certa

de pré-misturado (brita e areia),

e mais a emulsão para dar a liga.



A medida é correta, exata, concreto.

O buraco, então, vai tomando a forma.

Se recompõe.



E o rolo compressor apalpa,

o que o tempo vai se encarregar de abrir novamente.

E o buraco no asfalto se torna poesia, concreta.
(Vanessa Omena)










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