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domingo, 7 de abril de 2013

Pesseio pela História






Lavoura  de cana-de-açúcar - paisagem recorrente  desde os primórdios do povoamento do território alagoano, que pertenceu à Capitania de Pernambuco, até a emancipação das Alagoas, em 1817

Desde que iniciei as pesquisas para um trabalho sobre a genealogia de minha família paterna - MAYA (Bittencourt) de OMENA, há pouco mais de seis meses, tenho me deparado com livros,  blogs, além de teses e artigos diversos, que nos fornecem informações preciosas sobre o povoamento do nosso território a partir da colonizaçção portuguesa.  Um deles é o livro Contribuição à História do Açúcar em Alagoas (Museu do Açúcar, Recife, 1970), do historiador Moacir Medeiros de Sant`Ana, que traz um verdadeiro manancial de informações,baseadas em documentos, estudos e pesquisas, que atravessam séculos da nossa história. O livro foi escrito no final da década de 60, por sugestão, segundo o autor, de Evaldo Inojosa, ex- Presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar, no Estado de Alagoas e do extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA).


 O livro, que chegou em boa hora , me foi presenteado durante uma visita de pesquisa que fiz à sede da Cooperativa dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas (a chamada Cooperativa dos usineiros), que fica no velho e histórico bairro portuário de Jaraguá, em Maceió, cujo edifício recebeu o nome de Ildefonso Prado de Omena Filho, meu avô paterno e  fundador, junto com o irmão Egberto Uchôa de Omena, da então Usina Bititinga, no final da década de 30. O livro tem prefácio do renomado sociólogo alagoano Manuel Diégues Júnior, autor de O Banguê nas Alagoas, e descreve os fundamentos históricos da economia alagoana, com ênfase para os engenhos de açucar e as usinas. " O aparecimento da usina, com sua aparelhagem aperfeiçoada, constituiu o ponto mais alto da derrocada dos nossos obsoletos engenhos. Os veneráveis senhores de engenho do passado começaram a ser chamados beguenzeiros e a maioria deles desceu posteriormente mais um degrau na hierarquia da família açucareira, indo constituir uma nova classe, mais modesta, a dos fornecedores de cana, à qual também se agregam antigos lavradores dos engenhos" (p.323, Contribuição à História do Açucar em Alagoas).

Prédio da Cooperativa dos usineiros que também abriga o Sindicato da Indústria do Açucar e do Álcool no Estado de Alagoas


Entre um passado de lutas, riqueza, decadência e renovação, sobrevive até hoje a atividade que outrora ficou conhecida na história de nossa economia como o ciclo da cana-de-açúcar, que depois da extração do Pau-Brasil pelos europeus, foi  a base da economia brasileira. Os tempos agora são outros, mas a cana-de-açúcar - uma gramínea nativa da Ásia e introduzida no Brasil pelos colonizadores portugueses -, continua predominando na nossa paisagem, principalmente na chamada zona da Mata, litoral e entrando pelo agreste alagoano. 

Na região entre os atuais municípios de Murici e Flexeiras, a vista da Serra do Ouro - que ainda guarda vestígios da  Mata Atlântica - é  um retrato dessa cultura que deixou um forte legado na  formação da sociedade brasileira, considerada pelos estudiosos, como o sociólogo pernambucano Gilberto Freyre -,como Patriarcal, Escravocrata e latinfundiária. 


Do alto da Serra é possível uma visão sobre a formação econômica do território alagoano a partir da lavoura de cana-de-açucar



Vista do alto da Serra do Ouro - próxima da ex-usina Bititinga - tendo ao longe a vista para a cidade de Flexeiras.


No passeio pela história adentramos pelas terras do município de Murici. Na fazenda  Nossa Senhora dos Remédios - nome de um santuário na cidade de Lamego, em Portugal, que tive a oportunidade de conhecer durante a minha estadia neste país, entre os anos de 1998/2000 - e que no passado foi um dos tantos engenhos de açúcar espalhados pela região, a ponte sobre o Rio Remédio , reconstruída no ano de 2012, recebeu o nome de Helenita Brandão Maya de Omena, uma homenagem feita pela Prefeitura de Murici a minha mãe, que ao lado de meu pai viveram nessa regiã durante as décadas de 50-60,   época em que a ex-usina Bititinga ainda soltava fumaça de seu velho bueiro (Chaminé),e que até hoje ainda é um dos locais de boas lembranças e passeios pelos arredores.




Ponte de concreto substituiu a velha ponte de toras de madeira e facilitou o tráfego na área rural



Muda de Ipê, espécie nativa da mata atlântica



Família agradece a homenagem com o nome da ponte Helenita Brandão Maya de Omena, na zona rural de Murici (Fazenda N.S. dos Remédios)





Um comentário:

  1. você deve conhecer minha vó, foi dessa região benedita omena da silva

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