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domingo, 7 de julho de 2013

Brincadeiras e conversas

Bom chegar à Bititinga e ver o movimento de crianças e jovens  em torno do clube  onde fica a pequena Biblioteca Comunitária. 








O lugar aproxima os moradores . Aqui tem brincadeiras e jogos, livros, as festas, como as de São João, e também é local de reuniões e conversas.






Como acontece em todas as nossas visitas, mostramos o que trazemos de novidades para o acervo da biblioteca comunitária. Dessa vez, vieram joguinhos e alguns dos livros que recebemos da premiação do concurso LEIA COMIGO! promovido pela FNLIJ.  Vamos trazendo os livros aos pouquinhos, pois assim teremos tempo de apresentar cada um deles: quem são seus autores, ilustradores, e sempre que possível fazer a contação de alguma  historinha com as crianças. Não queremos apenas aumentar o acervo da biblioteca, mas principalmente fazer com que as crianças entrem em contato com esse universo, despertando para a leitura e tendo acesso ao livro, que está bem ali, naquela pequena biblioteca ao lado do clube. 

 Aliás, o certificado do Concurso LEIA COMIGO! foi trazido para a pequena Biblioteca, afinal foi por esse nosso contato de leitura com as crianças e adolescentes da Bititinga que nos inspiramos para escrever o relato, que está públicado na edição de julho de Notícias da FNLIJ, mostrando essa iniciativa que acontece na zona rural do município de Messias.




Também levamos um jornal com uma reportagem sobre o escritor Graciliano Ramos, e o Geraldo disse que viu na televisão a reportagem sobre a Feira Literária Internacional de Paraty (FLIP), que esse ano teve como homenageado o escritor alagoano que levou para o mundo as paisagens e as histórias que se passaram em Alagoas, nas primeiras décadas do século passado (XX) . 



Dentro da salinha da biblioteca uma máquina de datilografia,  peça para muitos só "vista em museu" desde a chegada do computador, e que o Geraldo  ainda utiliza em seus afazeres, lembrando os velhos tempos quando começou a trabalhar como contínuo do escritório da antiga usina,  quando essas máquinas de datilografia ainda reinavam absolutas nos escritórios. 



Geraldo Rosalino que trabalhou como escriturário das Usinas Bititinga e Porto Rico  demonstra habilidade com a velha máquina de datilografia.




Para as crianças e adolescentes a máquina de datilografia é motivo de curiosidade




Kelly disse que sempre vem à Biblioteca em busca de um novo livro




Os joguinhos fazem parte da diversão das crianças








Bom é se despedir do lugar e ver a alegria no rosto das crianças. A pequena Bia, sempre com um jeito bem meigo, disse-me:" Vanessa, quando eu crescer quero ser professora!"
 Bem haja! 



terça-feira, 2 de julho de 2013

Alagoas na FLIP

  
" A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso, a palavra foi feita para dizer". (Gaciliano Ramos).




O escritor alagoano, nascido em Quebrangulo, Graciliano Ramos (1892-1953) é o grande homenageado da Feira Literária de Paraty , no Rio de Janeiro, que acontece a partir desta quarta-feira (3/7) até domingo (7/7). Mestre Graça fez sua trajetória na literatura, na política, no ensino público e como jornalista, com passagens por Viçosa, Palmeira dos Índios - onde foi Prefeito do município de 1928-1930- e Maceió, onde trabalhou na Imprensa Oficial do Estado, e que hoje leva o seu nome. A partir de 1937 passou a residir  definitivamente no Rio de Janeiro, após ter sido preso pelo governo de Getúlio Vargas. Entre seus amigos e contemporâneos estão o paraibano José Lins do Rêgo; a cearense Rachel de Queirós, o baiano Jorge Amado, e alagoanos como Théo Brandão, Manuel Diegues Júnior, Cipriano Jucá, Raul Lima e tantos outros.


Na Literatura deixou obras que são referência na chamada literatura regional, e também universal, como: São Bernardo, Caetés,Vidas Sêcas, Angústia, Memórias do Cárcere...


Aqui, nossa homenagem ao Mestre, em forma de poesia:




De Alma Levada


No rio da minha existência
mergulho a alma em agonia
estendendo o pesado manto
que afunda e volta à tona

Deixo a água penetrar
esfrego, torço e bato
a alma na pedra dura,
na água que amolece e lava
tal e qual as lavadeiras lá de Alagoas
na visão do Mestre Graça

Vislumbro as paisagens ao redor
(Quebrangulo, Viçosa, Palmeira dos Índios, Maceió...)
enquanto a alma embranquece nas águas
e sinto os cheiros de pessoas
de saudades e quimeras

A alma, então, retorcida
vai ficando enxuta e nova,
estendida sob o sol
com cheiro de sabonete "Alma de Flores"

e sigo no caminho,
de alma lavada pra a vida.
(vanessa omena- do livro "Enecoêma" em arquivo).




quarta-feira, 26 de junho de 2013

São João no interior

Nem tão longe da cidade
Chegamos ao interior
Passando por Messias
Compramos fogos nas banquinhas






De tudo tinha um pouco
Traques, chuvinhas, bombas e bombinhas
Vindos das fabriquetas de Murici
Para comemorar os Santos Populares




Viva Santo Antonio!
Viva São João!
Viva São Pedro!







 Depois seguimos para a Bititinga
E o clima era de animação
Por aqui os festejos juninos
Continuam uma tradição




Ao lado da biblioteca verdinha
O clube estava bem enfeitado
Um cartaz anunciava
Os festejos que viriam










Do lado de fora a fogueira
Já pronta prá queimar
Moradores e visitantes
Conversavam sem parar









Depois partimos para a Santa Fé
À convite da prima Belle
Que enfeitou de bandeirolas
A velha casa ao pé da serra



E por aqui também se via
Fogueira, fogos e alegria
Enquanto a Lua cheia enchia
De mais brilho o nosso São João















No dia seguinte as cinzas
Da fogueira que queimou
Nas lembranças de cada um
A festa não acabou.(VO)




quarta-feira, 19 de junho de 2013

LER NA BITITINGA


Texto premiado no 12º Concurso FNLIJ LEIA COMIGO!*
Categoria RELATO REAL
Bititinga -  lugar onde fica a Biblioteca Comunitária Bititinga -  na década de 40 (acervo MISA)


Sábado, por volta de 1 e meia da tarde, partimos rumo à Bititinga, localizada na área rural do município de Messias, zona da mata alagoana. De carro o percurso é de cerca de 1 hora, saindo da capital, Maceió, caso o trânsito ajude. Antes de pegar a estrada, os preparativos para organizar na mala do carro as caixas com os livros doados e catalogados; algumas mudinhas ou sementes de plantas para o jardim que estamos ajudando a fazer em torno da biblioteca comunitária; e o que mais pudermos levar de doação, como estantes para os livros e alguns brinquedos e roupas. Às vezes o carro vai bem cheio, e outras vezes levamos apenas o que foi possível arrecadar naqueles dias. Mas, o mais importante, é que sempre temos algum livrinho para levar para a biblioteca.

Pelo caminho, paramos para comprar algum lanche para a meninada e, enquanto dirijo, em companhia de meu filho de 12 anos e de minha mãe, que morou na Bititinga com meu pai e as filhas, inclusive eu, ainda criança lá pela década de 60, quando o lugar era bem dinâmico e com uma pulsante usina de açúcar, vou pensando nas atividades que iremos fazer com a turminha, alguns bem pequeninos, e a maioria pré-adolescentes e adolescentes. Quando chegamos, alguns deles já estão em volta do clube onde são feitas as atividades do Projeto que recebeu o nome de Engenho de Leitura, Artes e Empreendedorismo Bititinga.

 A família do Geraldo Rosalino, morador antigo e ex-trabalhador da usina, é parceira no Projeto. Foi daí que nasceu a Biblioteca Comunitária da Bititinga que fica instalada em uma salinha do antigo clube da ex-usina.Geralmente, assim que chegamos vou logo chamando a garotada para a rodinha de leitura. Com o tempo sem chuva fica bem agradável fazer as atividades ao ar livre, na sombra das árvores frondosas que existem no lugar.Tem dias que tem mais gente na rodinha, e em outras vezes tem menos participantes, pois alguns estão fora ou ainda por chegar. Aos poucos vamos identificando cada um deles, principalmente os mais assíduos, e sentindo falta daquele que não pôde vir.





 Antes de iniciar a Contação de História do dia, conversamos sobre algumas novidades na comunidade, sobre o que foi lido na vez passada, e as crianças vão lembrando das histórias já contadas, e os que não participaram vão sendo motivados a ficar para ouvir uma nova história. Além da garotada, um ou outro adulto também acompanha quando pode.
Depois da contação é hora de fazer as atividades de artes, e o meu filho Louis Tiago, agora já um pré-adolescente de 12 anos, tem o maior jeito para comandar as brincadeiras, que pode ser um desenho, um jogo, ou dessas atividades de recortar, colar, perguntar e responder, enfim, a turminha, principalmente os menores, precisam de estimulo para participar, perguntar, ler e aprender, e o que queremos com as brincadeiras é despertar a vontade de todos em se encantar com os livros, para além das leituras obrigatórias da escola, é claro.

 Aliás, na Bititinga de hoje existe uma creche mantida pela prefeitura local , além da escola municipal que existe desde os tempos da usina. Os maiores completam os estudos na cidade de Messias. Isso é muito bom, pois ninguém fica fora da sala de aula , e a biblioteca é um estímulo a mais para que as crianças, jovens e adultos tenham acesso aos livros nas horas de lazer.

Um dia pedimos aos meninos e meninas, geralmente na faixa entre 6 e 15 anos, para escreverem, cada um, uma frase sobre o que é ler para eles.Recolhemos as frases com os nomes e as idades das crianças para imprimir em um papel do tipo cartolina, e que na próxima vez que formos à Bititinga será lido por cada um deles, comentado, e depois vamos colar as frases nas paredes da biblioteca. Algumas dessas frases dizem: Ler é imaginar mundos novos; Ler é aprender e criar; Ler é viajar....

Comparo o projeto na Bititinga como uma sementinha que foi plantada em um lugar que esteve tanto tempo abandonado, desde que a usina fechou em meados dos anos 90. Antes era um lugar próspero, com emprego para os moradores, a maioria trabalhadores de fazendas de cana-de-açúcar ou da própria indústria. Depois da venda da usina e da posterior falência da indústria, muitas famílias deixaram o lugar , e os que ficaram lutam por dias melhores.

Além das visitas à comunidade para as atividades do projeto e da biblioteca, resolvi fazer um blog justamente para dar vazão a tudo isso. Pena que a comunidade da Bititinga ainda não tenha acesso à internet por lá, mas mesmo assim vamos registrando tudo e oferecendo dicas aos internautas.

As doações são sempre muito bem vindas. Recebemos livros de vários gêneros, a maioria didáticos, mas também chegaram doações de livros paradidáticos , infantil, infanto-juvenil, técnicos e coleções. Por meio do blog vou conhecendo outros projetos de bibliotecas comunitárias e essa sinergia é muito importante, pois vamos aprendendo muita coisa com quem já vem lidando com o incentivo à leitura. É só buscar na web e vamos conhecendo quantas iniciativas bacanas existem pelo Brasil à fora.

Um desses contatos veio de longe, de uma brasileira que mora na cidade de Zundert, na Holanda, e após uma troca de e-mail ela ficou de mandar uma doação de livros infantis da Biblioteca de Breda, onde ela trabalha como voluntária. Essa moça é a Juliette Fernandes, que reaproveita os livros infantis que são substituídos nessa importante biblioteca da Holanda e traduz as historinhas para a nossa língua portuguesa, num trabalho muito interessante de colar, e adesivar por cima do texto original, a tradução para os nossos pequenos, e assim fazer com que as crianças daqui tenham acesso a esses livrinhos tão especiais.

Sobre esses livros vindos da Holanda, eu postei no blog Engenho de Leitura e Artes Bititinga uma historinha que se chama "Os livros viajantes", e dessa forma vou mostrar as crianças da Bititinga de onde eles vieram, quem enviou, e assim faremos uma contação diferente com a criançada. O bom mesmo desse projeto é saber que, com pouco investimento e a ajuda de pessoas que nem esperávamos, podemos fazer algo inovador naquele lugar, dando mais possibilidade de lazer, cultura, entrosamento e novas descobertas por meio da leitura compartilhada, e a biblioteca comunitária é sempre um ótimo ponto de partida para novas possibilidades. (Vanessa Omena).

* O texto com a premiação serão publicados na edição de Julho de NOTÍCIAS da FNLIJ.




Biblioteca Comunitária da Bititinga é ponto de encontro e lazer da criançada






segunda-feira, 17 de junho de 2013

Bititinga no 15º Salão FNLIJ


A experiência de Leitura com as crianças , jovens e adultos da Bititinga, na zona rural do município de Messias , foi levada ao 15º Salão do Livro que aconteceu de 5 à 16 de Junho no Centro de Convenções SulAmericano no Rio. O relato LER NA BITITINGA  ganhou o 1º Lugar (Relato Real) do 12º Concurso FNLIJ LEIA COMIGO! cuja premiação foi feita no dia 14 durante a programação do Encontros Paralelos.




Vanessa, coordenadora do Projeto Engenho de Leitura, Artes e Empreendedorismo Bititinga recebe a premiação do 12º concurso FNLIJ LEIA COMIGO! que aconteceu no dia 14/06.




Premiação contou com a entrega de certificado e livros que farão parte do acervo da Biblioteca Comunitária de Bititinga, em Messias (Al). Da esq. para dir. (Elizabeth Serra - Secretária Geral da FNLIJ; Nilma Lacerda, Vanessa Omena e  Fabíola Farias.

André e Vanessa premiados no concurso LEIA COMIGO!

A Fundação Nacional do Livro  Infanto Juvenil(FNLIJ), seção Brasileira da International Board on Books for Young Peoples comemorou este ano o seu 15º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens  e acredita que a formação de leitores se constrói pela prática de leitura literária e que é ela que consolida a base humanista dos profissionais de qualquer área. O Premio LEIA COMIGO! é mais uma forma de estimular e valorizar práticas de incentivo à leitura .


Este ano no Salão o país homenageado foi a Colômbia que trouxe em seu estande um panorama da literatura colombiana para crianças e jovens, apresentando uma exposição de livros e ilustrações com várias temáticas. Um detalhe foi o modo como os livros ficaram expostos no estande, utilizando papelão, uma forma original e de baixo custo para organizar bibliotecas e valorizar o acervo.

Estande da Colômbia trouxe a diversidade de sua literatura voltada ao público infantojuvenil





Caixa de papelão serviram de expositores para livros


O 15º Salão FNLIJ apresentou durante sua programação uma variedade de encontros do público com os principais escritores e ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil ,  contando em seu espaço com diversos lançamentos das 71 editoras que participaram do evento. Outro destaque do Salão é a valorização do uso da Biblioteca como um espaço democrático de acesso ao livro. 

Durante a programação as crianças tiveram contato com autores e ilustradores de livros para crianças e jovens







Papel do ilustrador e os Pictures Books foram temas de destaque no 15º FNLIJ


A jornalista Cláudia, da assessoria de comunicação do evento, e Vanessa.





Auditório foi ponto de grandes discussões sobre livro e literatura




Conceição, mostrando as novidades do catálogo da editora  Peirópolis


A prima Vólia, dando àquela força durante nossa visita ao 15º Salão



Edilma, da FNLIJ, e Vanessa


15º Salão FNLIJ levou muito gente ao Centro SulAmericano, no Rio


A imagem símbolo do Rio- O Cristo Redentor , com os
nossos agradecimentos à Edilma e  Vólia, pela gentileza e amizade,  e a Prefeitura de Messias- Al, que apoia o Projeto  de Leitura , Artes e Empreendedorismo Bititinga.





segunda-feira, 10 de junho de 2013

Florada no canavial


Por esses dias, saindo de Maceió em direção à Bititinga a cena do canavial era essa: A inflorescência ou panícula da cana-de-açúcar, chamada de flecha da cana, bandeira ou flor apresenta tamanho, cor e formação variadas dependendo das espécies ou cultivares.
  








Apesar da beleza,  no florescimento o crescimento vegetativo do colmo é paralizado, com evidente perda de açúcar (sacarose) .Os prejuízos do florescimento são maiores quando o colmo ainda se encontra em fase de crescimento.




Mas para os olhos do viajante, o canavial em flor é sempre uma bela paisagem ....



...Além do mais é possível fazer belos enfeites  com a flecha da cana. Algumas dicas de artesanato podem ser conferidas no blog FIBRART